O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, advertiu nesta sexta-feira que o fato de a China não implementar reformas democratizantes ao lado das liberdades econômicas poderia aumentar as tensões no país e minar sua crescente influência no mundo.
A caminho de uma conferência regional sobre segurança, que deve tratar principalmente da China e da Coréia do Norte, Rumsfeld estabeleceu um paralelo entre a China e a Índia, a maior democracia do mundo e país que os EUA vêm cortejando como contrapeso ao Estado comunista.
- Prevemos que a relação com a Índia continuará se fortalecendo. Com respeito à China, não sabemos ainda exatamente que caminho as coisas seguirão, e isso devido à tensão que há entre a natureza do sistema político deles e a natureza do sistema econômico - afirmou o secretário a repórteres.
Mas Rumsfeld também disse que planeja, no final do ano, fazer sua primeira visita à China na qualidade de chefe do Pentágono.
O aprofundamento acelerado das relações entre os EUA e a Índia é alimentado pelos laços entre as duas Forças Armadas, ao passo que os contatos dos militares norte-americanos com os chineses, abalados devido ao incidente com o avião espião EP-3 em abril de 2001, estão só agora "evoluindo de forma apropriada", afirmou Rumsfeld.
Segundo o secretário, o governo norte-americano também estava reavaliando sua política em relação à Coréia do Norte, que em fevereiro anunciou possuir armas nucleares e que pode estar se preparando para testar um armamento do tipo em breve.
O secretário não forneceu detalhes a respeito da declaração, mas um oficial das Forças Armadas dos EUA, que não quis ter sua identidade revelada, disse que tais comentários apontavam para grandes mudanças.
A Coréia do Norte vem se recusando a retomar o processo de negociação sobre seus programas nucleares, processo esse do qual participam, além dela e dos EUA, a China, a Rússia, a Coréia do Sul e o Japão.
Rumsfeld será o principal palestrante em um encontro anual de segurança, onde ministros de Defesa da Ásia devem discutir assuntos que preocupam a todos. O secretário pretende realizar vários encontros bilaterais, entre os quais reuniões com os ministros japonês e sul-coreano da área.