O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, afirmou nesta quarta-feira que o Irã movimenta vários de seus postos de fronteira para o interior do vizinho Iraque, algo que considerou como uma falta de respeito com a soberania iraquiana.
- Há informações recentes de que os iranianos movimentam alguns de seus postos fronteiriços ao longo de uma faixa de 25 quilômetros, e vários quilômetros para o interior do Iraque - declarou Rumsfeld à Comissão de Serviços Armados do Senado.
O chefe do Pentágono declarou que "certamente, este é um comportamento que não é aceitável" e exortou os iranianos a "se manter em suas posições do seu lado da fronteira". Desde a invasão do Iraque por parte das tropas americanas e britânicas, Washington acusa Teerã de tentar se aproveitar da instabilidade social e política no território iraquiano para estender sua influência entre a população xiita.
O Governo do presidente George W. Bush denunciou em várias ocasiões que agentes especiais iranianos operam há muito tempo no sul do Iraque para tentar unificar a comunidade xiita e promover um sistema teocrático de Governo no país vizinho.
Em seu comparecimento no Senado, Rumsfeld se referiu também ao programa nuclear de Teerã, outro ponto importante de fricção com o regime do Irã, país com o qual os EUA não têm relações diplomáticas desde 1979 e que Bush considera um dos integrantes do "eixo do mal".
O chefe do Pentágono reiterou que, segundo os relatórios dos serviços de inteligência, o Irã tem um programa de armas nucleares e que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) teve "um êxito desigual" ao tratar de esclarecer a situação.
Rumsfeld disse que Washington tem especial interesse em incentivar a Rússia a reavaliar seu programa de cooperação em matéria nuclear com o Irã.
A tecnologia russa foi fundamental para a construção da central nuclear de Busher, que Teerã e Moscou afirmam que tem uso unicamente civil para a geração de energia, mas que na qual os EUA suspeitam que podem ser produzidas armas nucleares.