Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

Rumo a Caracas

Por Francisco Carlos Teixeira - A pretensa acusação de que Caracas radicalizou o FSM, criando um eixo antiimperialista, é falsa. Foi a luta contra a dominação das petroleiras na Bolívia, contra o Nafta no México e os juros abusivos do BC brasileiro que comprovou que o imperialismo é vivo e atuante. (Leia Mais)

Quinta, 19 de Janeiro de 2006 às 22:51, por: CdB

Ao encerrar-se em 2005, em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial (FSM) havia apontado algumas tendências bastante claras, ao mesmo tempo em que havia identificado eixos centrais de debate para o movimento mundial de construção de um mundo melhor. A tendência clara era a retomada do debate político, com a superação de uma postura de recusa ao político, aos partidos, aos sistemas eleitorais e, mesmo, das formas parlamentares de transformação do poder. Alguns dos participantes do FSM chegaram mesmo a anunciar, em tom de maldade, que tinham uma revelação a fazer: o mundo se muda tomando o poder!

O retorno da discussão política

Para muitos participantes do FSM havia sempre a possibilidade de se inventar o novo, buscar formas de participação ainda não testadas e tirar do debate, ao vivo e presencial, a novidade que superasse, de vez, o formalismo e o leguleio engravatado dos parlamentos. A recusa às formas tradicionais de participação, em especial em face das formas caricatas dessa representação em muitos dos países do chamado Terceiro Mundo, justificava-se - e justifica-se! - em razão da corrupção, do estelionato eleitoral, o descumprimento de programas partidários e a apropriação privada - para sua própria vantagem - de cargos públicos oriundos da votação popular. Este panorama é comum na África, América Latina e boa parte da Ásia, embora não seja apanágio nosso e casos de corrupção política sejam notórios na Itália, França e Estados Unidos.

Contudo, na América Latina a corrupção política atingiu tão duramente a nossa representação que uma pesquisa recente - do Barômetro Latino - atestou um profundo desamor dos latino-americanos com os políticos (o que já era esperado) e (muito mais grave!) com as instituições políticas. Assim, entre as instituições que mereceriam maior confiança hoje na América ao sul do Rio Grande, estariam a mídia, a Igreja Católica e os militares. Ora, sem entrar no mérito de tais instituições (algumas identificadas com supressão da liberdade, da pluralidade e da autonomia cultural ao longo de nossa história) podemos verificar de pronto que tais instituições não possuem caráter republicano. Antecedem a república, deitam suas raízes na época colonial e na era dos caudilhos e do império (no caso do Brasil e México), não se identificando claramente com a república representativa e laica.

Assim, não é estranho que boa parte dos militantes altermundialistas desconfiassem da política e da sua prática em moldes tradicionais. Mesmo alguns processos de transformação e resistência a globalização neoliberal - como Cuba e Venezuela - de forma variada negaram, e negam, as formas tradicionais de praticar a democracia representativa. No caso da Venezuela, a irrupção do Comandante Chávez na cena política varreu as instituições tradicionais da democracia Venezuela, a mais antiga em funcionamento no continente (e possivelmente a mais oligárquica e não-representativa). Chaves, contudo, teve a inteligência de valer-se dos meios democráticos formais, convocar eleições, plebiscitos, trabalhar na construção de uma nova constituição e ampliar a cidadania. Em suma, com Chaves explicitou-se os limites de inventar o novo. Tratava-se de exigir o funcionamento dos mecanismos democráticos, limpar as instituições dos 500 anos de domínio oligárquico e desmontar as ferramentas que eternizavam a elite - no mais das vezes branca e cosmopolita - no poder. Assim, valia à pena exigir que as instituições funcionassem em sua plenitude - voto, partidos, parlamento, juizados etc. - em vez de se perder na invenção de algo inexistente. A receita da democracia, desde a polis antiga, é conhecida. O mistério é o seu modo de fazer.

O desafio colocado em Porto Alegre - reinventar a democracia! - cabia na equação de exigir o funcionamento das instituições democráticas+a expressão da vontade popular.

A emergência da Nova América do Sul

Foi nesse sentido que o ano de 2005

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