Um tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) sentenciou nesta quinta-feira um político extremista hutu à prisão perpétua por assassinato, genocídio e crimes contra a humanidade, incluindo 27 estupros cometidos em Ruanda em 1994.
No julgamento mais curto já realizado pelo Tribunal Criminal Internacional para Ruanda, a corte sentenciou Mika Muhimana depois de ouvir várias testemunhas que disseram ter sido estupradas por ele ou sob instruções do ex-líder do conselho municipal.
Uma testemunha contou ao tribunal em Arusha, no norte da Tanzânia, que Muhimana, 44, certa vez usou um machete para abrir o abdômen de uma mulher tutsi grávida e retirar dali o feto.
Em outro caso, o líder local estuprou uma garota tutsi de 15 anos em frente a um grupo de milicianos hutus, enquanto em outro, ele bateu a cabeça de sua vítima no chão no momento em que a estuprava.
- O tribunal não encontrou circunstâncias atenuantes e julga apropriado impor a sentença máxima - disse Roland Amoussouga, porta-voz da corte.
- Por genocídio, ele cumprirá a pena de prisão pelo resto da vida, e o mesmo por estupro como crime contra a humanidade, e por assassinato como crime contra a humanidade - disse ainda.
A prisão perpétua é a pena mais grave que o tribunal da ONU pode decretar. O tribunal foi criado em 1995 para julgar os mentores do genocídio ruandês, quando cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados foram mortos por hutus extremistas em 100 dias.