Autoridades de Ruanda pediram a países de todo o mundo que façam um minuto de silêncio no dia 7 de abril próximo, ao meio-dia, para lembrar os 10 anos do genocídio de 1994.
``Gostaríamos que o mundo todo realizasse 10 minutos de silêncio, um para cada ano a contar desde 1994, mas algumas pessoas dizem que isso seria demais'', afirmou Ildephonse Karengera, diretor do memorial do genocídio de Ruanda.
``O mais importante é que haja ao menos um minuto de silêncio porque as pessoas precisam se lembrar do que aconteceu aqui'', disse Karengera em uma entrevista concedida na sexta-feira em Kigali.
Esse pequeno país da região central da África viu-se tomado pela violência em 1994. Durante semanas, depois de ter sido derrubado o avião no qual viajava o presidente Juvenal Habyarimana, em 6 de abril daquele ano, uma média de 8.000 pessoas foi morta todos os dias.
No total, cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados foram assassinados em cerca de 100 dias de chacina patrocinada por hutus extremistas.
Segundo estudiosos, os assassinos, em sua maior parte civis armados com facões, enxadas e bastões com pregos, trabalharam cinco vezes mais rápido do que as câmeras de gás usadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).
A comunidade internacional assistiu de forma relativamente passiva aos assassinatos.
``A comunidade internacional precisa assumir a responsabilidade que lhe cabe por essa tragédia. Não agimos de forma rápida o suficiente quando começaram as mortes'', disse o então presidente dos EUA Bill Clinton em uma visita realizada a Ruanda em 1998.
O dia 7 de abril foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) o ``Dia Internacional da Reflexão'' para Ruanda, que fará uma conferência sobre o genocídio e uma semana de eventos.
Cerca de 20 chefes de Estado, entre os quais o atual presidente norte-americano, George W. Bush, estão convidados para comparecer ao país naquela data.