Rotatividade no emprego explode em julho; saldo final: 140 mil vagasAs contratações e demissões com carteira assinada bateram recorde em julho e produziram uma criação líquida de 140 mil vagas novas, segundo dados divulgados nesta terça-feira (16/08). Para ministro do Trabalho, a alta rotatividade reflete o 'aquecimento' da economia. Geração de empregos mais baixa em julho não é "tendência", mas já resulta também de problemas da indústria e do clima de "crise", segundo Carlos Lupi.
André Barrocal
BRASÍLIA – Nunca um mês de julho viu tanta rotatividade no mercado de trabalho formal. No mês passado, o ministério do Trabalho contabilizou 1,696 milhões de contratações com carteira assinada e 1,556 milhões demissões, ambos números recordes para o mês. O resultado foi um geração líquida de 140 mil empregos, volume menor do que em junho, o que nesta comparação ocorreu nos últimos dez anos, e do que em julho de 2010, quando a economia crescia mais.
Os dados fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira (16/08). Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o entra e sai de pessos no Caged é um “termômetro” do atual estado da economia brasileira. Ao lado da constatação de foram criadas vagas novas em todos os setores econômicos (indústria, comércio, serviços e agricultura) e em todos os estados, mostraria que o país estaria indo bem.
“Comprova que o Brasil está preparado para enfrentar qualquer crise”, disse Lupi. “A economia interna continua sendo a grande locomotiva do crescimento, ao contrário dos Estados Unidos.”
Apesar desta avaliação positiva, o ministro disse que o Caged de julho ficou abaixo da expecativa que ele mesmo tinha, de um resultado melhor do que junho. O resultado de junho, quando foi divulgado originalmente, apontou 215 mil vagas novas. Com a entrada na conta de informes feitos pelas empresas fora do prazo, o número final fechou em 234 mil.
Segundo o ministro, a explicação para a desaceleração do emprego em julho é, sobretudo, sazonal. É um dos piores meses do ano, no mercado de trabalho, por causa de demissões decorrentes de férias escolares e de entressafra no setor rural. Desde 2002, o Caged sempre identifica redução do emprego na passagem de junho para julho. “O mês de julho nunca puxa o emprego”, disse Lupi, argumentando que em agosto e setembro a situação melhora por causa do fim do ano.
O que surpreendeu o ministro foi a magnitude da desaceleração em julho. Para ele, foi influência do sufoco da indústria (“o grande problema do Brasil hoje é a concorrência dos importados”). E de uma certa cautela de agentes econômicos em razão das incertezas sobre a economia mundial (“ficam falando de crise, crise, já começam a segurar as contratações”).
Para Lupi, não não há uma “tendência” de desaceleração do emprego, e a situação vai melhorar até o fim do ano, quando o pacote de medidas pró-indústria que o governo lançou recentemente produzirá resultados.
No acumulado de janeiro a julho, a geração de empregos formais está em 1,59 milhões. É o terceiro maior volume desde 2003, perdendo para 2010 e 2008.