Em solenidade no Palácio do Planalto a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, acusou a Petrobrás de ter dado preferência a um consorcio baiano para a construção dos módulos de integração da Plataforma de Rebombeio Autônoma (Pra-1), mesmo tendo o grupo vencedor feito uma oferta de R$ 80 milhões mais cara que a proposta do estaleiro Mauá-Juron, instalado no seu Estado.
Rosinha Garotinho, uma das convidadas para a solenidade na qual a Petrobrás assinou 11 contratos para a construção e reforma de quatro unidades petrolíferas, defendeu maior transparência nos processos licitatórios realizados pela empresa.
- Com toda alegria de estar aqui hoje, uma coisa me intrigra e não ficou muito transparente ainda: existia uma licitação feita para essa plataforma e o estaleiro de Niterói ganhou. A Petrobrás, no entanto, cancelou a licitação e fez um acordo com uma outra empresa. E, extra-oficialmente, tive informações que o custo de construção desse novo contrato é R$ 80 milhões mais caro do que a nossa proposta. Além dessa diferença, ofereci ainda à Petrobras, em carta encaminhada à ministra Dilma Rousseff, incentivos fiscais. A Petrobrás deveria vir a publico e oferecer dados das negociações com o consórcio baiano CNO-UTC.
O presidente da estatal, José Eduardo Dutra, reagiu com indignação as acusações da governadora e disse que ela estava sendo irresponsável.
- Se ela fez uma afirmação dessa é uma irresponsável. Isso não combina com a responsabilidade de alguém que ocupa um cargo de governo do estado. É uma afirmação indigna de ser feita por um governo de estado - disse ele.
Dutra disse ainda que se a governadora Rosinha Garotinho tem algum questionamento com relação a lisura do processo licitatório que recorra aos canais competentes.
- A Petrobrás está disposta a comprovar toda a lisura do processo. A proposta do estaleiro Mauá-Juron para a Pra-1 foi a terceira colocada em termos de valores. Como todos os valores foram acima do preço estimado pela Petrobrás a empresa, em atendimento ao decreto que legisla sobre o assunto resolveu cancelar a licitação e estabelecer uma negociação direta com os três concorrentes.
Dutra acusou ainda a governadora de estar tentando estragar a festa.
- O governo do Rio sempre tem procurado capitalizar as estimativas da Petrobrás e do governo Federal. Como o evento foi realizado em Brasília, por envolver vários Estados, o governo do Rio resolveu atrapalhar a festa.
Ele lembrou ainda que dos R$ 6,2 bilhões envolvidas nos 11 contratos para a construção e reforma das quatro plataforma, R$ 4,9 milhões serão gastos no Rio de Janeiro, para onde se destinam todas as unidades.
- Se ela afirmou isso foi irresponsável e eu também podia ser irresponsável dizendo que há corrupção no governo do Estado - completou ele.