A governadora Rosinha Matheus afirmou nesta terça-feira que acredita que os ataques violentos realizados no Rio durante as últimas madrugadas são "algo a mais contra o governo estadual". Segundo ela, jogar bombas contra estabelecimentos fechados não dão lucro para o tráfico, mas trazem prejuízo para os cofres do governo. "O que eles querem é espantar turistas e empresários", disse, referindo-se aos traficantes. Como um dos reflexos da violência, principalmente na cidade, o Rio acaba de perder a disputa com São Paulo para sediar um congresso da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre desenvolvimento econômico, que será realizado em junho de 2004. Segundo o diretor-executivo do Rio Convention and Visitors Bureau, Alexandre Raulino, a cidade deixou de ganhar, somente em diárias de hotéis, US$ 5,3 milhões. Para o congresso, virão cerca de 3.200 estrangeiros. Rosinha destacou, ainda, que o Rio tem problemas com a violência, mas que os meios de comunicação pioram ainda mais esta imagem. A governadora confessou que passou a madrugada olhando os sites dos jornais de São Paulo e disse que, apesar de o estado vizinho ser bastante violento, esses sites só registravam notícias referentes à violência no Rio. A governadora participou na manhã desta terça-feira da abertura do Primeiro Encontro sobre Crime Organizado, realizado na Academia de Polícia (Acadepol), no centro do Rio. Aproveitou para criticar o apoio do Governo Federal às ações contra o crime organizado no Rio. Segundo Rosinha, a única proposta que funcionou até agora no Estado, vinda do Governo Federal, é o apoio do Superintendente da Polícia Federal, Marcelo Itagiba. "O resto, são apenas reuniões. E espero que isto não custe a sua cabeça", disse, dirigindo-se ao Superintendente, que também estava presente à solenidade. A governadora também pediu ao Secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira, que, durante a próxima reunião do Comitê Gestor de Segurança, que deve ser realizada na próxima semana, cobre do Governo Federal a construção do alambrado e de uma portaria no Complexo Penitenciário de Bangu 1. Rosinha anunciou ainda que, a partir de maio, as Delegacias Legais terão um terminal interligado aos batalhões da área, para ampliar as informações e melhorar a atuação da polícia nessas regiões. O superintendente da PF, Marcelo Itagiba, fez um discurso durante a solenidade, utilizando verbos no passado, embora não tenha confirmado que está deixando o cargo. Itagiba disse ainda que é preciso evitar esse tipo de briga interna, como vem acontecendo dentro da cúpula de Segurança do estado.
Rosinha critica apoio da União no combate ao crime organizado
Terça, 15 de Abril de 2003 às 09:11, por: CdB