O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, disse nesta terça-feira que é preciso buscar fontes alternativas de energia principalmente em locais distantes, como a Amazônia. Em entrevista coletiva, o ministro falou do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).
- Nesse programa estamos dando uma ênfase às fontes eólicas, essa energia que é gerada a partir da força dos ventos, às pequenas centrais hidrelétricas e à energia a partir da biomassa, que pode ser resíduos de madeira, bagaço de cana, etc - afirmou.
O ministro explicou que o objetivo do programa é diversificar a matriz energética brasileira, para que o país não dependa exclusivamente das hidrelétricas e também possa desenvolver as chamadas fontes limpas de energia. Sobre o aproveitamento dos ventos e do sol nos Estados do nordeste, o ministro respondeu que a energia eólica não é utilizada com maior intensidade porque tem um custo elevado. Apesar disso, ele ressaltou que essa é uma energia importante como fonte complementar, assim como a luz solar.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o Proinfa promoverá a implantação de 3.300 MW de capacidade em instalações de energias alternativas cujo início de funcionamento está previsto para até 30 de dezembro de 2006. O governo garante que a Eletrobrás assegurará, por um período de 20 anos, a compra da energia produzida pelos empreendedores que se habilitarem no Proinfa.
Ainda segundo o ministro, o Brasil não corre o risco de sofrer qualquer problema de desabastecimento de energia elétrica até 2007:
- Não trabalhamos com hipótese de racionamento. Todas as medidas estão sendo tomadas pelo governo no sentido de que fontes sejam colocadas em quantidade suficiente para que não venhamos a sofrer nenhum problema de continuidade de fornecimento de energia.
Rondeau lembrou que o Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico informou recentemente que todos os reservatórios das hidrelétricas estão com sua capacidade acima da média. Ele reforçou que as equipes técnicas não prevêem qualquer risco de desabastecimento de energia elétrica no país.
Auto-suficiência
Para o ministro das Minas e Energia, a auto-suficiência do petróleo deverá ser conseguida, segundo expectativas da Secretaria de Petróleo e Gás, já em 2006. Em relação à auto-suficiência na produção de gás, o ministro disse que ainda não há uma perspectiva de quando isso ocorrerá.
- O que podemos dizer é que nos próximos dez anos, na nossa avaliação, teremos disponível em torno de 70 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural, ou seja, praticamente quatro vezes o que temos hoje.
Segundo Rondeau, o maior volume de gás consumido no Brasil é adquirido da Bolívia. Ele disse que o Brasil vai intensificar a exploração do gás natural:
- Nossa expectativa é que tenhamos crescentemente uma disponibilização cada vez maior do gás natural nacional. Com isso, a participação do gás vindo de fontes externas, como é o caso da Bolívia, vai diminuir.