O ronco, causado pela vibração que ocorre quando o ar encontra dificuldades para passar pela garganta ou pelo nariz, leva, em casos agudos, a problemas mais sérios do que somente o ruído.
Aparentemente inofensivo, o ronco pode evoluir para a apnéia do sono - pequenas paradas respiratórias enquanto dormimos - e, em casos mais graves, associar-se a um conjunto de doenças, como hipertensão, obesidade e até mesmo diabetes, elevando o risco de problemas cardiovasculares.
A associação dessas doenças com a apnéia do sono recebe o nome de síndrome metabólica, de acordo com o pneumologista Maurício Bagnato, responsável pelo Laboratório de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.
Segundo Bagnato, a síndrome funciona da seguinte maneira: A pessoa que tem distúrbio do sono pode desenvolver resistência a uma substância chamada leptina. Essa substância, produzida pelo tecido adiposo, é uma das responsáveis pela sensação de saciedade após a alimentação.
Ao desenvolver a resistência, o paciente com apnéia passa a comer mais e pode aumentar a tendência de ficar obeso ou intensificar uma obesidade já existente.
Ao engordar demais e liberar mais adrenalina, o paciente tende também a ficar resistente à insulina e, conseqüentemente, desenvolver diabetes tipo 2, além de alterações lipídicas (de colesterol e do triglicérides).
- Tudo isso junto acaba virando um ciclo. Se não for tratado corretamente e ainda no início, o paciente apnéico pode evoluir para essas outras doenças associadas - afirma Bagnato.
A pneumologista Lia Rita Azeredo Bittencourt, coordenadora do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também ressalta os riscos de doenças cardíacas em pessoas que roncam demais.
- Há estudos que comprovam que 50% das pessoas que roncam são hipertensas. Em quatro anos, a pessoa que ronca tem mais que o dobro de risco de desenvolver hipertensão do que a pessoa que não ronca - diz a especialista.
Para evitar o problema, o paciente deve passar por um exame chamado polissonografia, que consiste no monitoramento do sono da pessoa durante uma noite inteira para um diagnóstico correto do problema e do tratamento a ser indicado.
Em casos mais simples, a indicação mais comum é o uso de um aparelho intra-oral, moldado artesanalmente, como um aparelho ortodôntico.
- Ele basicamente posiciona a mandíbula do paciente mais para a frente, abrindo espaço para a passagem do ar - explica a dentista do Instituto do Sono Cibele Dal Fabbro.
Um tratamento eficaz é feito com o CPAP. Trata-se de uma máscara que é acoplada ao nariz do paciente durante a noite. Ela projeta o ar, que dilata a faringe, facilitando a respiração.
- Esse aparelho funciona perfeitamente, quase não emite barulho e resolve o problema em praticamente todos os casos - afirma Bagnato. As cirurgias, que antes eram tidas como solução para as pessoas que roncavam demais, hoje são as menos indicadas