O atacante Ronaldo promete uma surpresa semelhante ao corte "Cascão" da Copa de 2002, caso o Brasil chegue às semifinais, e torce por uma final contra a Argentina no Mundial deste ano, na Alemanha.
Na edição realizada no Japão e na Coréia do Sul, o jogador do Real Madrid mudou seu corte de cabelo para que o foco passasse para esta novidade, o que fez a imprensa deixar de fazer perguntas sobre sua seqüência de lesões e da trágica final de 1998.
- Em 2002, não tinha nada preparado e fiz. Se o Brasil chegar à semifinal, vou fazer uma surpresa parecida. O povo brasileiro anda tendo muita notícia ruim, muito sofrimento. Precisa de alegria e vou tentar fazer minha parte para deixar as pessoas mais felizes - disse Ronaldo, ontem, durante lançamento da chuteira com a qual vai disputar a Copa.
Sobre a Argentina, não escondeu o desejo de ter o rival pela frente na decisão. "Brasil x Argentina é o grande clássico mundial. Existe a rivalidade e o respeito. Torço por uma final entre os dois. Seria o máximo, sobretudo se a gente ganhar, mas eles merecem respeito e consideração. A Argentina tem uma grande seleção."
O meia-atacante argentino Messi, do também rival Barcelona, ganhou elogios de Ronaldo:
- Gostaria que ele fosse brasileiro. É incrível. Da nova geração, é a grande novidade do momento. Está jogando muito - comentou Ronaldo.
Sobre Robinho, o camisa 9 da Seleção vê muito futuro e diz que, quando o ex-santista se adaptar ao Real Madrid "e vai ser logo" -, arrebentará. "O importante é que o talento corre pelas veias dele. Uma hora explode de vez. O que converso com ele é sobre minha experiência na Holanda, quando cheguei com 17 anos. Falo muito sobre aquele período de adaptação", afirmou Ronaldo.
Questionado se há algum tipo de competição com Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo foi claro. "Nenhuma. Acho legal na Espanha quando eles falam que o Ronaldinho segue meus passos em algumas coisas. Espero ser um bom exemplo."
Seleção Brasileira e Copa
Ronaldo já marcou 12 gols em Mundiais e, marcar mais três para passa o alemão Muller, virou uma motivação extra para o brasileiro neste ano
. "Estou há dois gols de igualar o recorde de maior goleador da competição. Se fizer três, passo todo mundo. E uma motivação especial", disse.
Sobre seus rivais na disputa pela artilharia da Copa deste ano, Ronaldo relacionou principalmente quatro. "Tem muita gente boa. Henry (França), Crespo (Argentina), Raúl (Espanha), Van Nistelrooy (Holanda), vários grandes jogadores. É uma briga dura."
E o Adriano? "Se for o Adriano, vou ficar feliz. Ele é meu amigo e vai ser bom para a seleção brasileira. Mostra que ela está bem servida."
Outro ingrediente para a Copa na Alemanha é a possibilidade de um país sul-americano levantar a taça na Europa depois de 47 anos. O último e único time a conseguir este feito foi o Brasil, em 1958.
"Tivemos a chance em 1998 e não aproveitamos. Não vai ser fácil, mas temos que acabar com esse mito de que só os europeus ganham no continente. É uma motivação para os sul-americanos."
A derrota de 3 a 0 na decisão para a França, há oito anos, ainda não foi esquecida por Ronaldo, que teve atuação apagada na final depois de passar mal horas antes.
- Não tenho nem tive poder de decisão para ser escalado. É duro para o povo brasileiro aceitar uma derrota. Se sou culpado, ninguém pode provar. O que posso dizer é que me sentia bem. Estava bem, mas perdemos de 3 a 0 - disse.
Ronaldo, entretanto, acredita que o Brasil vai mais forte para a Alemanha por já ter uma base de quase dez anos. "Acho ótimo que o grupo já se conheça. Ele vem sendo formado desde 1998. Entraram alguns jogadores em 2002 é agora os mais novos que estão chegando estão se entrosando. O Brasil tem sorte de ter grandes jogadores. Temos que nos concentrar. O brasileiro gosta de jogar pelo amor ao futebol e isso é muito bom, uma vantagem."