Domingo, 07 de Dezembro de 2014 às 12:52, por: CdB
Ron Paul foi candidato à Presidência dos EUA
Ex-membro da Câmara dos Representantes do Congresso e ex-candidato à Presidência dos Estados Unidos em 1988, Ron Paul comentou em sua conta no Facebook que a resolução anti-Rússia 758, aprovada na quinta-feira, é um dos piores atos legislativos da história do Congresso norte-americano. O ex-congressista realizou uma análise minuciosa de todos os parágrafos do documento, tachando as acusações contra a Rússia contidas neles de infundadas e incompatíveis com a realidade. Segungo ele, a resolução “contém 16 páginas de propaganda de guerra”.
Comentando o terceiro parágrafo do documento, que acusa a Rússia de invadir a Ucrânia e violar a soberania desse país, Ron Paul indaga com ironia o porquê de os Estados Unidos, com seus poderosos satélites, que conseguem ler a placa de um automóvel do espaço, não divulgam vídeos ou imagens dessa suposta invasão russa.
Falando em “violação da soberania”, o ex-congressista questiona se a mesma acusação não poderia ser aplicada à participação dos Estados Unidos na derrubada do governo eleito da Ucrânia. Nesse sentido, ele citou as declarações da porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Victoria Nuland, “de que os Estados Unidos gastaram US$ 5 bilhões na troca de regime na Ucrânia”.
Na opinião de Ron Paul, as acusações contidas no parágrafo 11, sobre a realização de “eleições falsificadas e ilegais” pela população do leste ucraniano, mostram que o Congresso nega o direito de autodeterminação a essa região. Assim, o político escreve que os Estados Unidos sempre denigrem resultados de eleições que levam a resultados indesejáveis por eles.
No parágrafo 14 da resolução 758, o Congresso norte-americano afirma que o Boeing malaio caído no leste da Ucrânia foi abatido por um míssil lançado por “insurgentes pró-Rússia”. Ron Paul, entretanto, destaca que o relatório oficial da investigação dessa tragédia será apresentado apenas em 2015 e que a hipótese prévia desse documento não conclui que a aeronave tenha sido atingida por um míssil e tampouco apresenta acusações contra qualquer um dos lados.
O ex-congressista norte-americano escreve que ao acusar a Rússia pela venda de armas ao governo de Assad, na Síria, a resolução do Congresso omite o fato de essas armas serem usadas na luta contra o Estado Islâmico, combatida pelos próprios Estados Unidos, cujas armas enviadas a rebeldes sírios acabam parando nas mãos dos próprios terroristas do Estado Islâmico.
Ron Paul diz que parágrafo 22 do documento garante que a Rússia invadiu a Geórgia em 2008, enquanto investigações da União Europeia mostraram que foi exatamente a Geórgia quem iniciou ações militares infundadas contra a Rússia. Assim, com ironia, o político conclui que os congressistas não devem ter lido a resolução antes da sua votação.
Na opinião de Ron Paul, o documento chega a parecer cômico em algumas partes, como na passagem em que os Estados Unidos acusam a Rússia de “obter ilegalmente informações” sobre o governo norte-americano, e isso depois das polêmicas revelações de Edward Snowden sobre a espionagem dos Estados Unidos em todo o mundo.
Resumindo suas críticas, o ex-congressista garante que documentos como a resolução anti-Rússia 758, aprovada na quinta-feira, 4, pelo Congresso norte-americano, conduzem frequentemente a guerras e sanções.
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