O mesmo Gustavo Kuerten que venceu três vezes o Aberto da França, que liderou os dois rankings do tênis, que chegou a atuar por mais de quatro horas debaixo de sol no saibro de Paris quer só 15 minutos de paz e sossego atualmente.
Para sua estréia em Roland Garros, o segundo Grand Slam do ano, o brasileiro diz que o mais importante é controlar o começo do jogo, nesta terça-feira, por volta das 10h (de Brasília). São dois os seus motivos.
O primeiro, a condição física.
- Não estou 100%. Estou um pouco melhor do que em Barcelona, mas ainda não tenho a mesma reserva de energia e a mesma força de antes - declarou Kuerten, referindo-se ao seu último torneio, há um mês, que abandonou com fortes dores no quadril direito.
O segundo motivo estará do outro lado da quadra. O adversário desta terça será o espanhol Nicolas Almagro. Que tem tudo o que Guga diz não querer num rival.
É jovem (18 anos), entrará em quadra sem pressão (é o 130º no ranking de entradas) e vem embalado, após passar pelo qualifying. Eles nunca se enfrentaram.
- Já vi esse cara jogando, encontrei ele treinando aqui outro dia... Vai ser uma partida dura, sei disso. Ele bate bastante. Não posso dar bobeira no começo do jogo. Isso é o mais importante. Tenho que estar tranqüilo e não deixar que ele se sinta à vontade. Aí, terei uma chance - disse.
A preocupação pode parecer exagerada para alguém que, mesmo com todos os problemas físicos, é hoje o 30º do ranking de entradas -caiu uma posição na relação divulgada ontem.
E talvez seja. Desde que chegou a Paris, há exatamente uma semana, o brasileiro orientou seu estafe a evitar declarações otimistas, a desconversar quando o assunto for a tentativa do tetra. Sua meta é evitar futuras cobranças.
Tanto que, neste ano, sua comitiva é bem reduzida. Além do técnico, Larri Passos, estão em Paris a namorada, Letícia Bottcher, seu irmão, Rafael Kuerten, e sua assessora de imprensa. Por enquanto, nada da mãe ou da avó.
A estratégia está funcionando. A partida de amanhã foi marcada para a quadra três, a quinta em ordem de importância do evento.
Na última segunda-feira, Kuerten manteve sua rotina dos últimos dias. Pela manhã, bateu bola com André Sá em um anexo de Roland Garros. No começo da tarde, já no complexo, fez alongamento e fisioterapia. Das 17h às 18h locais, treinou com o romeno Andrei Pavel na quadra 12, observado por poucos torcedores e jornalistas.
Almagro, por sua vez, passou despercebido. Até pela imprensa espanhola, cuja única preocupação, por enquanto, é Juan Carlos Ferrero. O atual campeão, que vem de uma contusão nas costelas, também estréia nesta terça -e com toda a pressão, na quadra central, diante do alemão Tommy Haas.
Será a primeira vez que Almagro jogará um Grand Slam -série dos quatro principais torneios do circuito. No ano passado, jogando entre os juvenis, ele alcançou as semifinais em Roland Garros, só perdendo para o campeão. Em Hamburgo (ALE), há duas semanas, caiu na primeira rodada, diante do argentino Guillermo Coria, atualmente o terceiro do ranking.
Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026
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