Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Rodríguez Saá quer nova chance de governar a Argentina

Sábado, 26 de Abril de 2003 às 07:51, por: CdB

Depois de renunciar a um mandato presidencial provisório no final de 2001 por falta de apoio político, o ex-governador da província de San Luis Adolfo Rodríguez Saá quer acertar as contas com o passado e voltar ao poder na Argentina, mas desta vez legitimado pelas urnas. Rodríguez Saá, advogado de 55 anos, é um dos três candidatos do governista Partido Justicialista (PJ, peronista) que concorrerão em diferentes chapas nas eleições do próximo domingo. Governador da província central de San Luis por 18 anos, ele foi eleito em 21 de dezembro de 2001 pela Assembléia Legislativa para comandar o país depois da renúncia de Fernando de la Rúa, mas sua gestão durou apenas uma semana, devido à perda do apoio dos demais governadores peronistas. O episódio revelou a crise interna do PJ, e Rodríguez Saá, que nunca negou seu desejo de ser presidente da Argentina, empenhou-se em vencer as primárias de seu partido, que acabaram não sendo realizadas. Rodríguez Saá concorrerá nas eleições pelo Movimento Nacional e Popular e também pela aliança União e Liberdade. Membro de uma família de tradição conservadora influente desde 1860 na política de San Luis, Rodríguez Saá militou na Democracia Liberal até que, em 1971, durante seus anos como estudante na Universidade de Buenos Aires, filiou-se ao PJ. Com tendência à ala direita do peronismo, o jovem advogado foi eleito em 1975 como deputado em sua província, cargo que desempenhou até o golpe militar de 1976. Até 1983, quando foi eleito pela primeira vez governador de San Luis, Rodríguez Saá dirigiu um estudo de advocacia junto a seu irmão Alberto, definido por muitos como seu mentor político. Como governador, ele se destacou por uma administração ordenada, mas marcada por um estilo personalista, com matizes populistas, o que provocou grandes críticas e, ao mesmo tempo, rendeu-lhe o apoio incondicional da maioria dos habitantes de San Luis. "El Adolfo", como é chamado por seus simpatizantes, foi o primeiro candidato à presidência a apresentar publicamente suas propostas em discurso no qual explicou cada uma das 125 medidas que pretende adotar nos primeiros 100 dias de governo. Casado e com cinco filhos, Rodríguez Saá assinala a dedicação ao trabalho como uma de suas virtudes e, entre seus defeitos, destaca a arrogância, mas só a demonstra quando se sente "discriminado ou maltratado". Seus adversários o acusam de ter deixado a Argentina "fora do mundo" por ter declarado a moratória da dívida do país com os organismos de crédito internacionais em seu primeiro dia como presidente.

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