Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

Rodada de Doha tende a voltar para combater crise mundial, diz Lula

A retomada da Rodada de Doha é um dos avanços acertados na reunião do grupo de países ricos e em desenvolvimento (G20), semana passada, em Londres, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira. (Leia Mais)

Segunda, 06 de Abril de 2009 às 10:43, por: CdB

A retomada da Rodada de Doha é um dos avanços acertados na reunião do grupo de países ricos e em desenvolvimento (G20), semana passada, em Londres, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira. Líderes dos principais países desenvolvidos e em desenvolvimento reuniram-se em Londres para debater soluções para a crise financeira global. Uma das bandeiras do presidente brasileiro foi a liberalização comercial.

– Uma coisa extremamente importante que aconteceu foi que se acertou que os líderes políticos vão começar a discutir a Rodada de Doha outra vez, que tinha parado no final do ano passado. Todo mundo percebeu que se nós chegarmos a um acordo na Rodada de Doha, um acordo comercial, a gente vai poder possibilitar uma ajuda muito grande aos países mais pobres do mundo – destacou Lula em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente.

As negociações da Rodada Doha, realizadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), foram interrompidas devido a um impasse sobre a liberalização do mercado agrícola. O presidente sublinhou também outros avanços da reunião do G20, como o consenso para estancar a crise, o fortalecimento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial e a necessidade de criação de empregos e restauração dos fluxos de crédito.

– Os países mais pobres irão receber financiamento sem as condicionalidades que existiam na década de 80. Esse é um passo extremamente importante – comemorou.

Maturidade

Ainda sobre a reunião do G20 Lula disse que há “vontade política” e “disposição extraordinária” por parte dos líderes e que a prioridade, a partir de agora, é “estancar a crise”. Ele elogiou ainda a decisão do grupo de retomar as discussões da Rodada Doha. Lula ressaltou que houve consenso em relação às medidas a serem adotadas para reduzir os reflexos da crise financeira internacional e que, “pela primeira vez”, os presidentes demonstraram “maturidade” para lidar com o problema.

– Eu disse que os países emergentes não estavam precisando apenas da ajuda dos países ricos e que o que nós queríamos era que os países ricos resolvessesm suas próprias crises para que a gente pudesse voltar à normalidade – disse.

Lula lembrou que a crise nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia é de “grande profundidade” e que, por serem as economias com maior quantidade de crédito, “na medida em que páram, pára a economia mundial”.

– Penso que foi um passo extramamente importante para que os países que estão em piores situações possam voltar a crescer em 2010 – acrescentou.

Para o presidente, medidas anunciadas durante o encontro – como a decisão de fortalecer instituições multilaterais de financiamento – irão trazer resultados para os mais afetados pela crise, uma vez que as “condicionalidades da década de 80” para a concessão de financiamento não existirão mais.

Os líderes mundiais, segundo ele, estão “convencidos” de que é preciso retomar o crédito para facilitar o fluxo na balança comercial e que as economias precisam voltar a gerar empregos. Para Lula, esse é o sinal de que o Brasil está “totalmente correto” ao tomar medidas como fortalecer obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

– Anunciamos um programa habitacional, um novo programa de redução de impostos para o carro e para a construção civil. Se todos os países fizerem isso, temos uma grande possibilidade de ver o emprego voltar a acontecer na vida das pessoas – disse.

Comunidade árabe

No programa de rádio, Lula também comentou sua passagem pela 2ª Cúpula América do Sul e Países Árabes, que ocorreu na semana passada. Encontros deste porte servem para estreitar as relações entre os blocos e promover “uma certa harmonia” entre chefes de Estado de diferentes continentes.

– Estamos criando maturidade política para ampliar as relações comerciais, políticas e culturais da com outros continentes. Se você pega a América Latina, saímos de US$ 11 bilhões para quase US$ 30 bilhões, uma demonstração de que essas reuniões terminam por ser muito produtivas – disse, ao ressaltar que, atualmente, o saldo da balança comercial brasileira com os países árabes chega a US$ 20 bilhões.

Lula também lembrou que, em agosto, países africanos e sul-americanos participam do mesmo tipo de encontro em Caracas para promover o comércio entre os continentes.

– Isso faz com que nos tornemos menos dependentes dos blocos ricos – concluiu.

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