Um dos principais temas discutidos pelo Brasil em encontros bilaterais e discursos na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) foi a necessidade de concluir a chamada Rodada Doha de negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC). Previstas na rodada, a redução dos subsídios agrícolas nos países ricos e a diminuição das tarifas de importação industrial nos países em desenvolvimento constaram na pauta central de uma outra reunião, na sede da ONU, entre chanceleres do IBAS, grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul, nesta quarta-feira.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que participou do encontro, disse que um novo texto de presidentes sobre as negociações deve ser fechado até o final de outubro deste ano. Segundo Amorim, no dia 17, o presidente Lula discute o assunto em uma reunião do IBAS, na África do Sul. Encontros ministeriais em Genebra com representantes de outros países ligados à OMC também devem ocorrer nas próximas semanas.
- O que o Brasil sugerir (no âmbito internacional) tem que ser uma coisa que seja aceita por outros - destacou o chanceler brasileiro, que, na tarde desta terça-feira, reuniu-se com a secretária de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Susan Schwab, e cobrou, “muito afavelmente”, mais ênfase na oferta de acesso a mercado nos países ricos.
- Não negociamos. Conversamos. Quando qualquer coisa chegava perto na negociação, a gente parava. Essas conversas exigem tempo, e iniciamos um processo que será longo. Essas coisas exigem tempo e detalhe - ponderou o chanceler.
Na segunda-feira, o presidente Lula reuniu-se em NovaYork com o presidente do Estados Unidos, George W. Bush. Após oencontro, ele disse que Bush está mais flexível em relação à Rodada de Doha. Para Lula, as negociações têm e devem estar fechadas antes das eleições norte-americanas, que ocorrem no ano que vem.
- O mundo não pode esperar as eleições norte-americanas - disse Lula.