Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

<i>Robôs</i> cria mundo repleto de engenhocas

Terça, 22 de Março de 2005 às 16:18, por: CdB

O filme de animação "Robôs" cria um mundo próprio repleto de engenhocas e personagens simpáticos. Em lugar de cafezinhos, os robôs tomam xícaras de óleo. Em meio a paisagens esfuziantes, um extintor de incêndio é capaz de conversar com um cachorro.

Entretanto, ao contrário dos melhores filmes do gênero, "Robôs" não chega a transmitir o humor e as emoções pelos quais o espectador anseia quando assiste a um desenho animado. Ou seja, o filme é um pouco mecânico demais e acaba pecando por ser tão robótico.

O longa, estréia da sexta-feira, é criação do diretor Chris Wedge e do Blue Sky Studios, autores do desenho animado "A Era do Gelo", de 2002. A marca registrada da Blue Sky já ficou clara: comédia de pastelão e energia em doses maníacas. É "Looney Tunes" multiplicado no mínimo por quatro.

Tudo isso sem dúvida aponta para uma bilheteria grande e vendas enormes no mercado de vídeo e DVD. "A Era do Gelo" arrecadou mais de 176 milhões de dólares, e "Robôs" deve repetir a dose, se não a superar.

Como é costume de Wedge, seus personagens, simples e simpáticos, representam praticamente uma coleção ambulante de piadas.

Alguns deles são maravilhosos. Há um robô chamado Manivela (dublado por Robin Williams) que costuma perder partes do corpo em momentos inoportunos, e sua irmã menor, Piper (Amanda Bynes), que é uma bola de energia em ação. A malévola Madame Gasket é feita de peças soltas, que não combinam entre si e que sempre vazam um óleo vermelho.

O filme, assinado por David Lindsay-Abaire e a dupla de roteiristas cômicos Lowell Ganz & Babaloo Mandel, apresenta um mundo habitado exclusivamente por robôs. Diferentemente do que acontece em "Monstros S.A.", não há nenhuma explicação disso. Não sabemos como esse mundo foi criado. Ele simplesmente existe.

O herói da história é Rodney Lataria (voz de Ewan McGregor), montado e criado por seus pais para acreditar que tudo é possível. Ele ouve a mesma coisa através das transmissões de TV do Grande Soldador (Mel Brooks), o inventor mestre que manda na única grande empresa que parece existir no mundo dos robôs.

Grande Soldador declara que as portas sempre estão abertas a novos inventores. Assim, quando Rodney deixa sua cidade natal e parte para a Cidade dos Robôs com uma invenção nova na mala, ele se choca ao descobrir que as portas estão fechadas.

A trama não fica clara, mas parece que Madame Gasket e seu filho Dom Aço (Greg Kinnear) de alguma maneira conseguiram afastar Grande Soldador da empresa.

Eles bolam um plano para tirar do mercado todas as peças avulsas de que os cidadãos robôs precisam para viver e funcionar. Em lugar disso, vão fabricar apenas "upgrades" caros.

Com isso, muitos robôs que não têm como pagar por esses upgrades descobrem que se tornaram datados, fora de moda, podendo ser retirados das ruas pelos garis e levados ao desmonte de Madame Gasket.

Então Rodney e sua turma de amigos partem para desafiar os donos da grande empresa. Nesse percurso, a bela Cappy (Halle Berry) se rebela contra seu patrão, o malévolo Dom Aço, e se junta à turma dos mocinhos.

Boa parte da animação em "Robôs" é espetacular. Mesmo as cores possuem um ar metálico. No entanto, apesar de toda a complexidade desse mundo imaginário, Chris Wedge mantém seus personagens bastante rudimentares, o que impede o público de criar algum vínculo emocional com qualquer um deles.

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