Rob Zombie virou cineasta, mas continua emplacando façanhas dignas de um roqueiro: humanizar uma família de <i>serial killers</i>.
O cineasta é a força criativa por trás de duas décadas de álbuns de hard rock com títulos como <i>La Sexorcisto: Devil Music, Vol. 1</i> e o filme independente de 2003 <i>House of 1,000 Corpses</i>.
Escrito e dirigido por Zombie, <i>Corpses</i> ajudou a deslanchar a onda atual de filmes de terror que vem inundando os cinemas norte-americanos. E, nesta sexta-feira, o roqueiro e cineasta volta aos cinemas com outro terror, <i>The Devil's Rejects</i>.
Seu 1° filme assustou o público, mas também o fez rir com seu misto de cenas de terror e comédia sarcástica. Com o mais estilizado <i>Rejects</i>, Zombie partiu num rumo diferente. Ele diz que seu filme é um <i>road movie</i> sobre desajustados.
- Eu quis criar personagens convincentes e uma história com a qual as pessoas se envolvessem. Acho que o mais importante é lembrar que serial killers também são seres humanos - disse Zombie à Reuters.
Em "Rejects", ele misturou elementos de filmes clássicos, como "Bonnie and Clyde -- Uma Rajada de Balas", de 1967, que humanizou gângsteres dos tempos da Grande Depressão, com o estilo cinematográfico de filmes de terror sangrentos da década de 1970 como "O Massacre da Serra Elétrica".
No novo filme, uma família de assassinos conhecida como os Firefly está em fuga, tentando escapar do xerife Wydell. "Rejects" começa e termina com um tiroteio, e, entre começo e fim, não faltam mais tiros disparados pelo xerife e os Firefly.
Zombie acha que a maneira como a família se une diante da polícia fará a platéia torcer por ela. É até possível que ele tenha razão. Afinal, é difícil colocar seu sucesso em dúvida.
Nas décadas de 1980 e 1990, Zombie, que hoje tem 39 anos, compôs canções com letras violentas para sua banda de rock White Zombie, cujo nome veio de um filme de Bela Lugosi de 1932.
O White Zombie vendeu milhões de CDs. Então Rob Zombie passou para o cinema com <i>Corpses</i> e levou seus fãs fiéis ao cinema.
<i>Corpses</i> poderia muito bem ter sido um desastre de bilheteria. Foi feito com financiamento da Universal Pictures, mas o estúdio recuou quando precisou distribuir o filme violento e, em lugar disso, o vendeu ao selo independente Lions Gate Films, num tipo de iniciativa frequentemente vista como "beijo da morte" nas bilheterias.
Mas os fãs de Zombie e os adeptos do terror compareceram para ver o trabalho, e <i>Corpses</i> arrecadou 16 milhões de dólares na bilheteria mundial, um total nada desprezível para um filme independente feito com orçamento pequeno. O filme vendeu mais de 1 milhão de cópias em DVD.
Rob Zombie contou que é fã do gênero terror desde a adolescência.
- O que me atraía a esses filmes eram os monstros incompreendidos. Quando você é criança, se identifica com isso, de alguma maneira - explicou.