Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 2026

RJ recebe encontro sobre jardins históricos

A Fundação Casa de Rui Barbosa, do Rio de Janeiro, realiza o 2º Encontro Luso-Brasileiro de Museus-Casas: jardins históricos do século 19, para resgatar as memórias dos jardins históricos no Brasil. Segundo o presidente da fundação o encontro reúne especialistas de diversas áreas. (leia mais)

Quinta, 14 de Agosto de 2008 às 12:14, por: CdB

A Fundação Casa de Rui Barbosa, do Rio de Janeiro, realiza o 2º Encontro Luso-Brasileiro de Museus-Casas: jardins históricos do século 19, para resgatar as memórias dos jardins históricos no Brasil.

Segundo o presidente da fundação, José Almino de Alencar, o encontro, que ocorre até o dia 14, reúne especialistas de diversas áreas como museólogos, arquitetos, paisagistas brasileiros e convidados portugueses.

- É muito importante reunir diversos especialistas, pois este é um assunto sub-estudado. Temos uma rede de jardins históricos espalhados no Brasil que não são devidamente conhecidos e mapeados - disse à Agência Lusa o pesquisador.

Almino destaca que “há pouquíssimos especialistas na questão” e considera que, graças à temática do encontro interdisciplinar, será possível abrir um “bom caminho para a integração”. O pesquisador disse que falta mais “circulação no meio acadêmico”, se referindo à necessidade de estreitar os laços entre ambos os países. “Nós poderíamos ter mais relações com Portugal.”

O arquiteto e historiador português da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, de Lisboa, Helder Carita, vai proferir uma palestra sobre a arte paisagística portuguesa dos séculos 17 e 18. Carita concorda com Almino e realça ser "raro" este tipo de evento, defende a necessidade de haver mais encontros reunindo brasileiros e portugueses.

- É uma novidade na área dos jardins, é sempre importantíssimo a participação e o alargamento de pontos de vista. Seria preciso manter esse espírito e termos contato com os brasileiros, assim como os brasileiros conosco - justifica o historiador.

Segundo o pesquisador, nos jardins brasileiros do século 19, há “elementos com fundo cultural de influência portuguesa” e "pode haver algumas situações em que o espírito português atravessou o século 19 e chegou ao Brasil".

O cônsul-geral de Portugal no Rio, António Almeida Lima, realça que "as iniciativas de intercâmbio luso-brasileiro revelam a necessidade desta proximidade entre Brasil e Portugal". Para o diplomata, é importante que "os agentes técnicos, políticos, sociais e culturais se organizem para que esta mais valia, este conhecimento mútuo através da nossa língua e da nossa história comum, não se perca”.

Almeida Lima acredita que este ano, em que se comemora o bicentenário da chegada da família real ao Brasil, reforça o nível de intercâmbio e a presença portuguesa no Rio de Janeiro.

- Iniciativas como a deste encontro vêm reafirmar aquilo que constatamos: há também um grande interesse dos agentes culturais ligados ao patrimônio - afirmou.

De acordo com o cônsul, as instituições devem se inserir nas celebrações para promover o intercâmbio.

- É útil para o Brasil e é util para Portugal. Nós temos experiências comuns e paralelas na gestão pública, na vida cultural, econômica e social - salientou Almeida Lima.

O cônsul avalia que “estamos em um patamar muito elevado nesta proximidade cultural e de intercâmbio” e que a comemoração dos 200 anos da chegada da família real portuguesa é importante para a “revisitação da nossa história comum”.

Até o final da semana, a Casa Rui Barbosa abriga diversas palestras sobre jardins históricos, palácios e palacetes. Miguel Monteiro, coordenador do Museu para a Emigração e das Comunidades de Fafe, Portugal, também estará presente no Rio para falar sobre as marcas arquitetônicas do brasileiro na paisagem do Minho (região norte do país). Já o administrador da Fundação Cultursintra, o arquiteto João Cruz Alves, vai abordar aspectos sobre a Quinta da Regaleira, localizada na cidade portuguesa de Sintra.

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