Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

RJ: Italianos restauram afrescos da Coleção Imperatriz Tereza Cristina

Quarta, 14 de Janeiro de 2004 às 09:31, por: CdB

Dois afrescos de Pompéia que integram a Coleção Imperatriz Tereza Cristina, do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, estão sendo restaurados desde a última quinta-feira no Rio de Janeiro.

O trabalho é feito pelos restauradores Pietro Tranchina e Francesca Rabi, dos museus arqueológicos de Roma e Bolonha. Todo o processo é financiado pela União Latina e pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo e está orçado em R$ 80 mil. Em março, as peças estarão na exposição Pompéia - Testemunho de uma Civilização, no Museu de Artes de São Paulo (Masp), parte da comemoração dos 450 anos da capital.

Os afrescos foram encontradas em Pompéia em 1853, cidade que foi destruída em 79 d.c pela erupção do vulcão Vesúvio, e foram trazidas para o Brasil pela imperatriz, mulher de D. Pedro II. Ainda inéditos ao público, as peças datam possivelmente de 50 ª c e 50 d.c e têm motivos mitológicos marinhos.

 Na opinião de Pietro Tranchino, eles são os objetos mais valiosos de toda a Coleção Imperatriz Tereza Cristina, que possui cerca de 750 peças e é considerada a maior coleção de arte-greco romana da América Latina.

- São peças muito refinadas, não dá para estabelecer um valor. Elas são do melhor período romano e foram feitos por artistas anônimos de Pompéia - afirmou Tranchina que se diz gratificado em trabalhar com obras tão valiosas.

As obras estavam guardadas na reserva técnica do museu. Em 1918, elas já haviam sido restauradas. Na época, acreditava-se que era possível proteger as pinturas com uma cera, molduras de madeiras e cobertura de vidro. Com o tempo, a cera escureceu e as imagens ficaram escondidas.

Os restauradores começaram o trabalho sem saber o que iriam encontrar. Foi necessário retirar tudo o que havia sido feito e "mapear" toda a peça, como num quebra- cabeça, para se chegar à forma das figuras e o mais próximo possível da cor original. Após o restauro, os afrescos serão acoplados a um material composto por alumínio, resina e pó de vidro. Segundo Tranchina, é um material que é usado na composição das asas de aviões por ser leve, resistente e não se alterar com o tempo.

O restaurador e sua assistente trabalham continuamente e contam com a ajuda de restauradores do Museu da Quinta. Eles ainda limparam outros dois afrescos que integram a exposição permanente do Museu. Segundo a diretora da União Latina no Brasil, Martha Vianna, ele foi convidado porque está acostumado a trabalhar com os mais variados materiais, além disso a Itália é o país onde estão os melhores restauradores do mundo.

A curadora das Coleções Arqueológicas do Museu Nacional, Tânia Andrade Lima, explicou que, como as peças foram produzidas na Itália, o museu achou mais seguro trabalhar com restaurador já familiarizado com o material.

- A vinda de Tranchina possibilitou que as imagens dos afrescos viessem à luz, isso foi maravilhoso - disse.

A restauração dos dois afrescos é o início de um projeto da União Latina, entidade que congrega 35 países de língua latina, em parceria com o Museu Nacional da Quinta da Boa vista, que prevê o restauro de toda a Coleção Imperatriz Tereza Cristina. O projeto, avaliado em R$ 2 milhões, está na fase de captação de recursos e a União Latina acredita que, a partir da exposição no Masp, quando serão mostradas cinco peças: os dois afrescos, dois amuletos de terracota e um vaso de bronze, apareçam entidades com interesse em patrocinar.

Segundo Martha Vianna, além de restaurar, a entidade quer criar um catálogo com todas as peças. Para a curadora Tânia Andrade, o projeto é visto com bons olhos, porque o museu está passando por uma nova fase, buscando parcerias.

- Nós fechamos uma parceria com a Fundação Vitae para recuperar as reservas técnicas e estamos acordados com a União Latina para a restauração da coleção Tereza Cristina. Não são ações pontuais, é um projeto muito maior que envolve toda a reestruturação do Museu Nacional - afirm

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