Em sua quarta e última reunião deste ano, a Comissão de Economia e Mercados da Associação e do Sindicato dos Bancos do Rio de Janeiro (Aberj/Sberj) avaliou nesta quinta-feira que apesar da continuidade do processo de recuperação da produção de bens de capital, a queda da renda real dos trabalhadores e, em conseqüência, do consumo, reforça a perspectiva negativa para as vendas de final de ano.
Isso levou a comissão a rever o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 0,21%. Em relação ao próximo ano, no entanto, a média das previsões subiu de forma expressiva em relação a 2004, passando dos 2,65%, fixados em novembro, para 3,49%.
Do mesmo modo que os técnicos do Banco Central, a comissão da Aberj/Sberj, presidida pelo economista Alexandre Póvoa, continua cética em relação ao cumprimento do centro da meta de inflação de 5,5% em 2004.
- A indexação dos contratos faz com que, confirmado o reajuste de 8,6% nas tarifas públicas (previsto na Ata do Copom), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) já esteja com 2,5% "contratados" em termos de variação de preços. Em outras palavras, resta ao Banco Central impedir que a inflação nos preços livres ultrapasse os 3% restantes (cerca de 0,25% mensais), o que pode ser classificado como uma meta bastante ambiciosa - disse.
Na avaliação dos economistas que integram a Comissão, o atual nível de risco Brasil e do Ibovespa resulta em grande parte da farta liquidez mundial. Eles acreditam que, no curto prazoessa trajetória ascendente só poderia ser interrompida diante de três cenários.
O primeiro envolveria um aperto da política monetária nos Estados Unidos antes do previsto, o que é considerado improvável. Outros fatores que poderiam afetar a atual tendência de alta seriam um ataque terrorista que ampliasse a aversão a risco mundial e uma perda de fôlego do mercado pela saturação de preços. Daí, a Comissão considerar que os riscos externos estão minimizados, pelo menos no curto prazo.
Embora aprovem a política macroeconômica seguida pelo Ministério da Fazenda e Banco Central, os economistas alertaram, porém, quanto à necessidade de urgência, pelo governo, na aprovação das reformas estruturais e na definição de pontos fundamentais para a atração de investimentos, como o marco regulatório.
Os dados refletem o consenso de opiniões dos bancos Arbi, Banif Primus, BVA, Cruzeiro do Sul, Guanabara, Modal, Pactual e Prosper, que integram a Comissão de Economia da Aberj/Sberj.