A velha rivalidade entre a polícia e os bombeiros nova-iorquinos e as orientações desencontradas dadas às vítimas pelas equipes de resgate prejudicaram os esforços para salvar vidas nos ataques de 11 de setembro de 2001, disse na terça-feira a comissão que investiga o caso.
A comissão, reunida a menos de 3 quilômetros do local onde ficava o World Trade Center (WTC), afirmou que a rixa histórica entre bombeiros e policiais fazia as duas corporações se considerarem "operacionalmente autônomas", o que as impediu de trabalhar em conjunto durante a maior operação de resgate já presenciada pela cidade de Nova York.
"Essa rivalidade foi confirmada por cada uma das testemunhas que interrogamos", disse um relatório lido na audiência pública de terça. Segundo o documento, os operadores de emergência que atendiam pedidos de socorro das vítimas por telefone não sabiam nem mesmo dar as informações mais básicas, como quais eram os andares atingidos. Algumas vítimas foram aconselhadas a deixar o prédio, enquanto a outras foi dito que voltassem para seus escritórios.
Menos de duas horas depois do choque de dois aviões comerciais sequestrados contra as torres do WTC, no início da jornada de trabalho de uma terça-feira, ambos os arranha-céus já haviam desabado. Trabalhavam nos dois prédios cerca de 50 mil pessoas. Quase 3.000 pessoas morreram, entre elas 343 bombeiros e 23 policiais.
Para ajudar a analisar a reação aos ataques e o que poderia ter sido feito, a comissão independente apresentou uma gravação de vídeo dramática com imagens dos ataques e depoimentos de bombeiros e policiais que estavam em serviço naquele dia.
A audiência foi assistida por centenas de familiares das vítimas, alguns carregando fotos dos mortos. As imagens dos aviões se chocando com as torres trouxeram lágrimas ao público.
O relatório da comissão também afirmou que os esforços de salvamento foram prejudicados por problemas nos equipamentos de comunicação, que ou foram atingidos pelos ataques ou não eram intercambiáveis entre os departamentos. Isso quer dizer que as equipes de resgate praticamente não sabiam o que estava acontecendo nos outros andares ou nos outros prédios.
O maior exemplo disso é que, de acordo com o relatório, as autoridades responsáveis pelo resgate não previram o desabamento das torres.
"Não recebíamos muita informação. Não recebemos nenhum relato sobre o que se podia ver dos helicópteros," disse Joseph Pfeifer, um dos chefes de batalhão dos bombeiros.
"Era impossível saber qual era a extensão do dano aos andares superiores, se as escadas estavam intactas ou não... Na verdade, não tínhamos as informações que vocês viram na TV", disse ele.
Quando a primeira torre desabou, os serviços de resgate que estavam no outro prédio não faziam idéia do que havia acontecido. Sem saber o tamanho do desastre, faltou às autoridades de emergência um impulso uniforme de urgência para esvaziar a torre, que acabou desabando meia hora depois.