Rio de Janeiro, 18 de Agosto de 2026

Ritmo de crescimento da indústria deve se manter baixo no início de 2011, diz CNI

Quinta, 27 de Janeiro de 2011 às 09:35, por: CdB

Brasília - O ritmo de crescimento da indústria caiu no fim do ano e deve se manter nesse nível no início de 2011 por causa das medidas adotados pelo governo para frear o consumo e conter a alta inflacionária. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a produção, que cresceu de forma moderada em outubro e novembro, recuou em dezembro com o indicador em 44,7 pontos ante os 52,7 pontos de novembro. O indicador varia de 0 a 100. Valores acima de 50 indicam crescimento.

Essa é a segunda vez, em 2010, que o índice relativo à produção indicou expectativa de queda, ou seja, ficou abaixo de 50. Em janeiro de 2010, atingiu 49,2 pontos.

“Quando a gente coloca a expectativa de maior aperto monetário, provavelmente, isso vai reduzir ainda mais esse ritmo de crescimento. A interpretação que nós temos dos dados é que teremos um primeiro trimestre ainda mais fraco, em termos de crescimento da indústria”, disse o economista da CNI, Renato da Fonseca.

Segundo ele, a concorrência de importados e a redução do crédito na economia irão contribuir para manter a dificuldade de exportações.

De acordo com os dados da CNI, em dezembro, o número de empregados na indústria registrou crescimento pelo sexto trimestre consecutivo com o indicador situando-se em 52,2 pontos, mas foi o menor no período. Na avaliação da CNI, o resultado também indica redução no ritmo de crescimento do número de empregados na comparação com os trimestres anteriores.

A CNI destacou ainda que a utilização da capacidade instalada também registrou queda, com 48,2 pontos. Já os estoques em dezembro ficaram sob o nível planejado pela indústria, em 50,1 pontos. Na avaliação da confederação não houve excesso nem falta de estoques.

Por setor, a queda na produção em dezembro atingiu a indústria extrativa e a atividade de transformação. Segundo a confederação, em 20 dos 26 setores considerados, o índice de evolução da produção ficou abaixo da linha divisória de 50 pontos. Entre os setores mais fortemente atingidos, em dezembro, estão calçados, têxteis, indústrias diversas, metalurgia básica e madeira.

Para Renato da Fonseca, o ritmo só será recuperado com mudanças na política monetária do governo e no cenário externo, que cresce de maneira fraca há vários meses. “A mudança que pode ocorrer é na política monetária. Se não for tão forte como se chegou a anunciar é possível que se possa crescer a um ritmo mais moderado no segundo e terceiro trimestres”, afirmou.

Edição: Lílian Beraldo

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