Os estoques na indústria estão voltando à normalidade após um acúmulo visto no final do ano passado, o que sugere, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que o setor pode produzir mais se houver demanda. A pesquisa da instituição também mostrou, no entanto, que a indústria manteve em janeiro o lento ritmo de atividade visto no final de 2005.
"As avaliações sobre a situação presente retratam um quadro de demanda fraca e insatisfação com a situação dos negócios. A notícia favorável para os próximos meses é a de que os estoques... já estão próximos à normalidade, o que tende a fortalecer a resposta da produção a estímulos de demanda", disse a FGV em comunicado.
O nível de estoques é visto como insuficiente para 2% e excessivo por 9%, contra 2% e 12% em outubro de 2005.
"Os níveis de estoques, que se encontravam acima do desejável... chegam ao início de 2006 próximos a uma situação de normalidade", apontou a sondagem.
O levantamento disse ainda que 8% dos entrevistados avaliam o nível atual de demanda como forte e 23% o vêem como fraco. No levantamento anterior, de outubro, esses números eram respectivamente 14% e 21%.
A situação atual dos negócios é tida como boa por 16% dos industriais e fraca por 20%. Na pesquisa de outubro, esses percentuais eram melhores, de 22% e 19%, e na de janeiro de 2005 eram de 22% e 8%. A utilização da capacidade instalada na indústria totalizou 84,5% em janeiro, ante 84,3% em outubro e 84,8% em janeiro de 2005, com ajuste sazonal.
Otimismo
Para os próximos três meses, 26% dos entrevistados prevêem melhora da demanda, abaixo dos 32% em igual período de 2005. Diminuiu também a parcela dos que esperam piora, para 28% contra 32% na leitura anterior. Pioraram também as perspectivas para o emprego entre janeiro e março, sendo que 16% dos industriais pretendem contratar mais e 27% têm planos de demitir.
Em janeiro de 2005, mais empresários previam contratações, 20%, e menos pretendiam diminuir o pessoal, 12%. Já as perspectivas para a produção são melhores: 31% esperam aumento e 33%, diminuição. No levantamento de janeiro passado, esses números eram de 28% e 34%.
Para os próximos seis meses, os dados também são melhores do que na pesquisa de outubro. Hoje, 50% dos industriais acreditam que a situação dos negócios irá melhorar e 9% acham que ela irá piorar. Os números anteriores eram de respectivamente 43% e 18%.
A pesquisa ouviu 914 indústrias entre 29 de dezembro e 27 de janeiro.