A pé, em barcos ou helicópteros, equipes tentam resgatar pessoas ilhadas pela inundação deste domingo no condado de Cajun, na Louisiana, mas as autoridades respiram aliviadas pelo fato de o furacão Rita ter provocado poucas mortes.
A segunda forte tempestade a atingir a costa do golfo do México nos EUA em menos de um mês passou ao largo de Houston, coração da indústria petrolífera do país, ao atingir a pantanosa divisa entre Texas e Louisiana, no sábado. Em geral, o furacão poupou as importantes refinarias do Estado.
Ventos, chuvas e inundações danificaram duramente pequenas cidades à beira do pântano, a leste de Houston.
- Vimos o golfo do México mudar de lugar - disse Randy Roach, prefeito de Lake Charles, famosa pelos cassinos e pelas indústrias químicas, a respeito da cidade costeira de Cameron, que sumiu sob as águas.
- A força da natureza é algo para ser considerado - disse.
Mas as áreas litorâneas haviam sido desocupadas antes da tempestade, enquanto a polícia, a Guarda Nacional e outros grupos de resgate chegavam rapidamente. Por isso, não se repetiram as cenas de saques e caos vistas em Nova Orleans após o furacão Katrina.
- Tenho uma casa esfarrapada, e ela não caiu", disse Dallas Clavelle, que enfrentou o Rita na cidade de Port Arthur, no leste do Texas.
- A casa chacoalhou um pouco e eu voltei a dormir - disse ainda,
O governador do Texas, Rick Perry, disse que a indústria do gás e do petróleo sofreu "danos leves, na pior das hipóteses" - uma ótima notícia para os consumidores norte-americanos, que enfrentam um recorde no preço da gasolina. Perry afirmou que o Rita causou prováveis perdas e danos de oito bilhões de dólares no seu Estado, mas que espera que o governo federal "arque totalmente com o custo disso".
Na vizinha Louisiana, a governadora Kathleen Blanco prometeu pedir 11,5 bilhões de dólares ao governo federal e ao Congresso para consertar o sistema de transportes, e 20,2 bilhões para reparos nas barragens que protegem Nova Orleans de inundações.
As barragens, que não eram preparadas para resistir aos furacões mais potentes, cederam após o Katrina, o que inundou 80 por cento da cidade, famosa pelo jazz e pelo Mardi Gras (Carnaval).
- O desafio é tão enorme que não conseguiremos esse renascimento sem este presidente e sem este Congresso - disse Blanco a jornalistas após encontrar George W. Bush na cidade de Baton Rouge, capital da Louisiana.
Em todo o litoral norte-americano do golfo do México, as autoridades pediam a milhões de desabrigados que não voltassem para suas casas até que os sistemas de água, luz e esgoto fossem restabelecidos.
Kevin McCoy, de Nova Orleans, disse que fugiu para Lake Charles com sua mãe e duas cacatuas depois do furacão Katrina. Agora, ele é novamente um refugiado.
"Minha mãe está realmente abalada. Ela veio aqui para ficar segura e isso aconteceu. É um exercício de paciência. Estamos indo para Atlanta. É lá que há a menor quantidade de desastres naturais- contou.
Nos pântanos da Louisiana, onde vive a comunidade cajun, que fala francês e tem cultura própria, as equipes de resgate tentam achar várias pessoas ilhadas em Abbeville, na ilha Pecan e na baía de Vermilion.
Alguns escalam telhados e tanques de combustível, cercados por mais de 2,5 metros de água. Essas pessoas têm de enfrentar as cobras que também procuram terrenos secos.
O xerife de Vermilion, Mike Couvillan, disse que a inundação atingiu a sua própria fazenda, 55 km terra adentro, e pode ter matado suas 80 cabeças de gado.
O furacão deixou mais de dois milhões de pessoas sem luz no Texas e na Louisiana. Ele provocou mais de 30 cm de chuva e ventos de 190 km/h. As empresas do setor dizem que a eletricidade levará um mês para ser completamente restaurada.
Os dois últimos furacões paralisaram quase toda a produção das plataformas marítimas de petróleo no gol