Os títulos da dívida brasileira são as vedetes do mercado internacional de dívida e, atraindo agora investidores que costumam aplicar em renda fixa nos EUA e na Europa, derrubaram o risco Brasil para menos de 1.100 pontos pela primeira vez em nove meses. O indicador, que mede a diferença entre os juros pagos pelos títulos da dívida do país e os títulos do Tesouro dos EUA, fechou nesta quinta-feira a 1.099 pontos, menor valor desde os 1.064 do dia 4 de junho do ano passado. A queda de 6,38% já é a maior do ano. O C-Bond, principal título brasileiro negociado fora do país, subiu 2,39% e chegou a 77,563% do valor de face - a melhor cotação desde o início de maio do ano passado. Segundo analistas, o movimento de alocação no Brasil de investimentos reservados para países emergentes, que já ocorre desde o começo do ano, foi reforçado nas últimas semanas pelo capital que se destinava ao mercado de renda fixa norte-americano e europeu, onde os juros pagos são baixos. ''Nas últimas três semanas, o que mais aconteceu foi isso. Fundos que saíram dos investimentos em títulos dos EUA e da Europa vindo para o Brasil. Na verdade, vindo para emergentes, em busca de um retorno maior. Mas quando você olha para emergentes, o Brasil está com uma performance acima da média'', afirmou Rubem Ariano, gestor de fundos da Hedging-Griffo. O risco-país na casa dos 1.100 pontos significa que o Brasil paga, hoje, retorno 11 pontos percentuais maior do que o dos papéis norte-americanos. Outros países emergentes considerados seguros pagam menos - a Turquia, sete pontos, a Rússia, quatro e o México, apenas três. Para os analistas e os investidores, é um prêmio altíssimo para um risco moderado, e que vem se tornando ''manejável'' à medida que o governo empossado em janeiro reafirma, com ações, seu compromisso com a austeridade fiscal e econômica. Desde o início do ano, o risco Brasil desabou 24% e o C-Bond subiu 15%. Com a ameaça de guerra no Iraque, no entanto, dificilmente os ativos voltarão para o mesmo patamar em que estavam em janeiro do ano passado - risco na casa dos 800 pontos e C-Bond, em 80% do valor de face -, antes das tensões pré-eleitorais agitarem o mercado. Mas espaço para a recuperação ainda há.
Risco Brasil cai para menos de 1.100 pontos
Sexta, 07 de Março de 2003 às 06:40, por: CdB