Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Rio vai manter recolhimento de menores usuários de crack

O recolhimento compulsório de menores de idade usuários de crack vai continuar na cidade do Rio de Janeiro, apesar de críticas. De acordo com o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, este ano, estão sendo investidos R$ 28 milhões no atendimento à população em situação de rua.

Quinta, 22 de Setembro de 2011 às 09:07, por: CdB
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O recolhimento compulsório de menores de idade usuários de crack vai continuar na cidade do Rio de Janeiro, apesar de críticas em contrário, feitas por entidades de direitos humanos e pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Rio de Janeiro (OAB-RJ), de acordo com o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem. – Eu acho que não podemos brincar com a vida das pessoas. Nós estamos tratando de crianças e adolescentes que não são capazes de decidir se podem continuar a utilizar o crack na beira da linha do trem ou não. É dever do Poder Público tomar uma medida, mesmo que mais dura, para que essas crianças possam ter uma mínima possibilidade de largar essa droga tão nefasta –, defendeu o secretário. A presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Margarida Pressburguer, afirmou ser frontalmente contra o recolhimento compulsório dos menores. – Eu sou contra o recolhimento da forma brutal como está sendo feita, por policiais militares, guardas municipais e Polícia Civil. Para ela, o procedimento é ilegal, pois existe um trâmite legal que deve ser cumprido e "que não está sendo, ao arrepio da lei e de forma inconstitucional, quando poderia estar sendo feito dentro de normas legais”. A integrante da Rede Rio Criança, Márcia Gatto, criticou as operações de recolhimento e disse que existem outras formas de se retirar os menores das drogas. – Nós somos completamente contra o recolhimento compulsório de crianças e adolescentes em situação de rua. Comprovadamente, a gente sabe que isso não tem resultado concreto. Se a proposta é acolher, isso não se faz com polícia. A abordagem tem sido feita de forma violenta e agressiva. Quando o tratamento é involuntário, as chances de resultado são muito menores. O integrante da organização de direitos humanos Projeto Legal, Antônio Pedro Soares, também se posicionou contrariamente ao recolhimento forçado. – Eu me oponho em absoluto à resolução da secretaria, pelo caráter compulsório e pelo emprego das forças policiais na abordagem de rua, o que torna ineficaz qualquer trabalho com essa população –, disse. O secretário Bethlem informou que, este ano, estão sendo investidos R$ 28 milhões no atendimento à população em situação de rua. Ele disse que espera obter mais recursos para investir na recuperação de usuários de drogas, por meio de convênio assinado com o governo federal. Atualmente, existem 28 unidades de acolhimento a menores no Rio e a prefeitura está abrindo mais duas. Segundo Bethlem, há urgência em se trabalhar o problema, pois ele acredita ser grande a possibilidade de os menores morrerem vítimas da droga. Ele relatou que, das crianças e adolescentes acolhidas pela prefeitura, 12 morreram ao voltar para as ruas. – O destino de uma criança dessas será a morte ou ter sequelas incontornáveis.
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