As acusações de que o resultado do Carnaval do Rio de Janeiro deste ano possa ter sido influenciado por propinas e ameaças aos jurados "caiu como uma bomba" na "cidade do futebol fantástico e das praias de sonho", segundo afirma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo diário espanhol El País, um dos mais populares da Espanha.
Sob o título Samba em ritmo de máfia, o jornal comenta que a Polícia Federal investiga se as ameaças e presentes recebidos por membros do júri de pessoas ligadas à máfia local influenciaram no resultado deste ano, no qual a escola Beija-Flor conseguiu a vitória.
O jornal diz ainda que a Máfia da jogatina dita o ritmo do Carnaval carioca e lamenta que a maior festa do Brasil, que atrai turistas do mundo inteiro, tenha sido manchada pela influência danosa da quadrilha que está sendo investigada.
- Para os cariocas, habitantes do Rio de Janeiro, o evento mais importante do mundo é o Carnaval, e o concurso das escolas de samba que durante várias noites desfilam pelo sambódromo adquire paradoxalmente as características de uma liturgia quase sagrada em uma festa que deveria ressaltar o mundano - observa a reportagem.
O jornal afirma que o Carnaval já é "muito mais que uma festa" e que o concurso das escolas de samba movimenta "muito dinheiro".
A reportagem aponta que segundo a Policía Federal várias pessoas relacionadas com a Máfia do jogo do bicho estariam implicadas na trama de pressão aos jurados, alternando ofertas de presentes com ameaças de pistoleiros. A polícia interceptou conversas entre um contraventor com o ex-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba e com um advogado sobrinho deste. Todos tinham interesse na vitória da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, que acabou de fato ficando com o título.
El País ressalta na matéria que o ex-presidente da Liga, Aílton Guimarães, e o contraventor Aniz Abraão David, presidente de honra da escola vencedora, são considerados os cérebros da fraude. Guimarães era presidente da Associação de Bingos do Estado do Rio e foi acusado de subornar a polícia e financiar de maneira ilegal campanhas políticas.
- Seu sobrinho Júlio César Guimarães, era responsável pela escolha dos jurados e ordenou que eles recebessem presentes para facilitar a vitória da escola de Anisio. Quem não aceitasse esses presentes como suborno era ameaçado de morte por pistoleiros - relata a matéria.