A 23ª DP (Méier) é a melhor delegacia de polícia do país, de acordo com pesquisa realizada pela organização não-governamental Altus Aliança Global, em parceria com o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Cândido Mendes (UCAM). O ranking da segunda edição da Semana de Visitas a Delegacias de Polícia tem ainda, entre as dez melhores, a 7ª DP (Santa Teresa), na 3ª posição, a 79ª DP (Jurujuba), no 4° lugar, e a 82ªDP (Maricá), na 10ª colocação. A premiação aconteceu nesta quinta-feira (29/11), no auditório da UCAM, no Centro.
De 22 a 28 de outubro deste ano, 259 voluntários conheceram 160 delegacias brasileiras. No Rio de Janeiro, 40 da região metropolitana receberam a visita dos julgadores. Cada uma foi fiscalizada por um grupo de 5 a 10 cidadãos comuns, usuários dos serviços oferecidos. Eles preencheram um formulário padrão, aplicado em 820 delegacias de 22 países, desenvolvido por pesquisadores para avaliar os quesitos orientação para a comunidade, condições materiais, tratamento igualitário do público, transparência e prestação de contas e condições de detenção.
Em 20 questões, foram atribuídas notas de 1 a 5, significando, respectivamente, os conceitos totalmente inadequado, inadequado, adequado, mais do que adequado e excelente. A média nacional foi 48,7 e corresponde ao parâmetro inadequado. Porém, a 23ª DP alcançou 91,8 e está qualificada como excelente.
– Nossa meta era ser a melhor do Rio, mas o espírito de equipe aliado ao cumprimento das determinações da Chefia de Polícia nos levou a este ponto. O atendimento ao público é a prioridade. Entendemos esse objetivo e chegamos a um bom patamar. A maior dificuldade está no efetivo insuficiente, que é superado com muita força de vontade e harmonia junto ao público – explicou o delegado titular Luiz Archimedes, há 10 anos na delegacia do Méier, bairro da Zona Norte carioca.
Segundo o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, há uma busca constante por melhorias no atendimento à população a nas condições de trabalho do policial. Ele cumprimentou Luiz Archimedes e agradeceu o esforço dos delegados da 7ª DP (Santa Teresa), Marcos Antônio da Silva, da 79ª DP (Jurujuba), Luiz Carlos Sarmet, e da 82ª DP (Maricá), Luiz Carlos Tucher. Mesmo assim, disse não existir motivo para comemoração.
– Devemos usar os bons resultados como exemplo para levar esta excelência a todas as delegacias. O prêmio não é surpresa porque nós buscamos a evolução a cada dia através de diálogo com delegados e comandantes, planejamento a partir dos índices de criminalidade, reuniões com representantes das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP) e incentivo à aproximação das forças policias com os moradores. Estamos atentos às demandas para prestar um bom serviço – analisou Beltrame.
O conceito geral das delegacias fluminenses subiu, em comparação ao número de 2006, quando a média foi de 48,71. Neste ano, aumentou para 52,01 e superou cinco das oito capitais avaliadas. Brasília (DF) liderou com 54,65 e Curitiba (PR) ficou em segundo lugar, alcançando 54,37. Além dessas três cidades, também receberam visitas Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP).
– A polícia, em geral, está melhorando. Não se pode negar a evolução, mas há muito a ser feito, principalmente, na divulgação dos dados sobre as ocorrências. A pesquisa internacional visa unir polícias e sociedade civil em uma avaliação da qualidade das delegacias. Os delegados, representantes da segurança, estão entendendo a importância da prestação de contas, interna e externamente. Eles são responsáveis pela conduta de seus policiais, pelos custos de sua delegacia e pela satisfação da comunidade atendida – argumentou o presidente da Altus, Chris Stone, patrocinador de estudos realizados por seis fundações, institutos e centros de pesquisa sediados no Brasil, Chile, Nigéria, Índia, Rússia e Estados Unidos.