O homem suspeito de ser um dos maiores traficantes de ecstasy da Zona Sul do Rio de Janeiro, preso na terça-feira, movimentava pelo menos R$ 40 mil por mês com a venda de drogas, segundo a polícia. Segundo o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, Marcel Mitidiere Fernandes, 26 anos, negociava os comprimidos com preços que variavam de R$ 25 a R$ 50. Ele venderia cerca de 400 comprimidos por semana.
Fernandes foi preso na noite de terça-feira, logo após comprar 100 comprimidos de um fornecedor em Botafogo. Ele passava de bicicleta pela avenida Princesa Isabel, em Copacabana, e não imaginava que policiais da 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca) tinham montado pontos de bloqueio nas duas pistas, à sua espera. Os agentes chegaram ao traficante depois de prender Carlos Domingos Moreira Passo Júnior, o Carlão, 36 anos, que acabou entregando o concorrente.
Carlão contou que começou no tráfico comprando ecstasy de Marcel, para revender na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Vargem Grande. Os dois tiveram uma rixa porque um queria "invadir" a área do outro.
Desde a prisão de Carlão, considerado o maior traficante de drogas sintéticas daquela região, Marcel se desfez do celular e mudou para a casa de um amigo. Ele passou a fazer entregas em domicílio, marcadas possivelmente por telefones públicos, de bicicleta. Também escondeu documentos, agendas e contabilidade.
O delegado explicou que, durante as investigações, chegou a pensar que Marcel era o nome usado por Carlão para negociar a droga na Zona Sul. Com a prisão do traficante, ele mesmo esclareceu as diferenças da dupla. Com ele, agiam mais três pessoas, um fornecedor e duas pessoas que revendiam os comprimidos.
Presença em Itaboraí
Marcel também esteve na rave Tribe Rio, realizada em Itaboraí no fim de outubro, quando um jovem de 17 anos morreu e mais 17 pessoas foram socorridas com sintomas de abuso de drogas e álcool. Ele disse ao delegado que foi ao local apenas se divertir.
Conhecido como Pará, Estado em que viveu na infância, Marcel sempre morou na Zona Sul, em apartamentos de classe média alta. Ele brigou com a família desde que começou a se envolver em brigas e a vender drogas em festas e boates.
Lutador de jiu-jístu, Marcel abandonou os estudos e foi expulso de casa pelo irmão, formado em Direito, que se limitou apenas a indicar um colega para defendê-lo. A mãe, que está em Recife, também não quis falar com o filho. Marcel já havia sido citado em inquérito de tráfico de drogas em Niterói e agora pode pegar de 5 a 15 anos de prisão.
Novas regras para festas
O presidente da Comissão de Prevenção ao Uso de Drogas e Dependência Química em Geral da Assembléia Legislativa do Rio, deputado José Nader (PTB), defendeu, limitar a duração das festas rave. A proposta foi feita nesta quarta em audiência pública sobre o caso do jovem Lucas Francesco Amendola Maiorano, 17 anos, morto em Itaboraí no dia 28.
Para Nader, é hora de o poder público interferir na questão. — É impossível realizar uma fiscalização eficaz em um evento de 24 horas — afirmou.
O delegado da 71ª DP (Itaboraí), Antônio Ricardo Nunes, que investiga a morte de Lucas após rave no sítio Happy Land, intimou para depoimento oito seguranças da empresa Guepardo Vigilância. Eles já haviam sido convidados e não se apresentaram. O dono da empresa, Cristiano Lobo, também deverá voltar à delegacia.