Rio de Janeiro, 02 de Novembro de 2026

Rio recebeu proposta para trem bala

Terça, 18 de Dezembro de 2007 às 08:53, por: CdB

O secretário de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, Julio Lopes recebeu representantes da Systra¸ subsidiária das estatais do setor de transportes na França, para discutir propostas para a implantação do trem-bala entre Rio e São Paulo. A empresa está entre os seis grupos já selecionados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo BNDES para participar do projeto de estudo de demanda e traçado para a linha de alta velocidade entre Rio e São Paulo.


O secretário e os representantes da Systra participaram de uma reunião no BNDES. Na ocasião, o diretor de infra-estrutura do banco, Wagner Bittencourt, informou que o Governo Federal definiu o novo prazo para que as empresas interessadas na construção do trem de alta velocidade (TGV) apresentem suas propostas, que será no dia 18 de janeiro.

Depois dessa data, a empresa escolhida terá sete meses para a realização do projeto, que vai analisar qual público potencial para esse tipo de transporte e quais os locais mais apropriados para a construção de estações ao longo da linha.

O estudo da geografia do terreno por onde passará o trem-bala também é definitivo para a determinação do custo final do projeto, já que será nessa parte da pesquisa que ficará definido qual a tecnologia a ser usada no sistema: material rodante e linha permanente.

Essa parte da pesquisa também vai analisar as tecnologias disponíveis no mercado para saber qual a mais adequada ao projeto brasileiro.

Na reunião, Julio Lopes solicitou aos franceses a proposta de integrar a linha do TGV ao centro do Rio e ao Aeroporto do Galeão. 

– É perfeitamente possível colocar o trem de alta velocidade integrado à malha ferroviária urbana. Nos intervalos que a linha estiver desocupada ele circularia com uma velocidade menor. Para se ter uma idéia, o trem que liga Paris a Lyon, quando chega nas áreas urbanas diminui a velocidade para 100km/h , comentou Julio Lopes.

Afinada a esta idéia, a secretaria criou o projeto denominado Arco Ferroviário, que pretende construir uma linha férrea ligando a Barra da Tijuca ao Centro, passando por Jacarepaguá, Madureira, Penha e o Aeroporto do Galeão.

Segundo Claude Gevrey, diretor da Systra - que já implantou o TAV em mais de 150 países-, a maior dificuldade em colocar esta obra de pé é a questão das licenças ambientais e a desapropriação das famílias ao longo do trecho.

Julio Lopes destaca que o trem de alta velocidade não é um problema de tecnologia ou de falta de dinheiro. É uma questão essencialmente de gestão política e por isso acredita que a boa articulação entre os governos do Rio e de São Paulo vai tornar real este desejo da população. 

–  O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) já disponibilizou R$ 1,8 milhão e o governo federal já está sensibilizado em ajudar o projeto. Em termos tecnológicos tudo é possível, a exemplo, do trem na Coréia do Sul, que foi construído para suportar o maior grau de abalo sísmico na escala Richter. Ou seja, a questão maior é a sociedade e a política se articularem. E estamos na direção certa,– ressaltou o secretário.
Segundo o presidente da ADtrem, empresa que desde de 2006 reúne as fabricantes de trem de alta velocidade, a sociedade ainda vê o projeto como uma obra de ficção científica e precisa acreditar que o trem é uma realidade.
- Parece que estamos falando de disco voador: todo mundo já ouviu falar, muita gente conhece, acredita, poucos viram e quase nenhum andou. Mas a construção do trem de alta velocidade é questão de tempo - avaliou.
Diferente de outros países em que o trem de alta velocidade foi financiado por recursos públicos, no Brasil a obra será executada por uma PPP (Parceria Público-Privado).
Outra novidade é que a cidade de Campinas, uma das cidades mais ricas de São Paulo, foi incluída no projeto do trem de alta velocidade, o que vai aliviar o congestionado aeroporto de Vira

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