Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Rio: população vai do pessimismo à expectativa

Orla de Copacabana, vésperas da abertura oficial dos Jogos Olímpicos. Uma brisa quente sopra do mar, e o sol banha turistas e cariocas

Sexta, 05 de Agosto de 2016 às 08:29, por: CdB

Até a última semana, desconfiança dominava a cidade olímpica, em meio à grave crise política e econômica, aos problemas de segurança e às obras intermináveis. Mas retirada dos tapumes e chegada de turistas mudam o clima

Por Redação, com DW - do Rio de Janeiro:   Orla de Copacabana, vésperas da abertura oficial dos Jogos Olímpicos. Uma brisa quente sopra do mar, e o sol banha turistas e cariocas que ocupam a areia da praia em pleno inverno, mais turistas do que moradores, no último dia de trabalho antes de um feriado atípico para muita gente no Rio de Janeiro.
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O esquema especial de segurança montado para os Jogos colaborou para melhorar o clima na cidade olímpica A chegada maciça dos turistas nos últimos dois dias parece ter ajudado a trazer alguma alegria de volta à cidade
Os sotaques das mais diferentes partes do Brasil entregam os visitantes, bem como as diversas línguas estrangeiras. Bandeiras de vários países tremulam em homenagem aos Jogos, e o movimento é grande na loja oficial de souvenirs olímpicos instalada na areia. O logo da Rio 2016 está por toda parte, e o clima geral é de expectativa para o início do maior evento esportivo do planeta. – Eu estava bem pessimista, mas agora, vendo os atletas e os visitantes chegarem, comecei a ficar emocionada – conta a dentista carioca Elisa Martins, de 38 anos, que caminhava no calçadão. “Acho que, no fim das contas, vai dar tudo certo; torço para isso, pelo menos.” No metrô, a decoração é toda alusiva aos Jogos, tanto nas estações, quanto nos trens. Atletas olímpicos do Brasil gravaram a chamada para as estações, e as sinalizações para embarque e desembarque, surpreendendo positivamente os viajantes. O clima de expectativa se repete na Praça Mauá, ou Porto Maravilha, como a rebatizou o prefeito Eduardo Paes, com a montagem de food-trucks e diversas barracas para a venda de bebidas. O movimento é intenso no Museu de Arte do Rio, onde já há fila para ver o Abaporu, de Tarsila do Amaral, principal estrela da exposição de arte nacional inaugurada esta semana especialmente para os Jogos. Do outro lado, no futurista Museu do Amanhã, também há filas. – Cheguei antes justamente para ver um pouco da cidade, conhecer os museus – conta o americano Erol Gabronski, de 33 anos, aguardando na fila do Museu do Amanhã. “Até agora estou achando tudo lindo.” A animação marcou também os dois primeiros dias de funcionamento da Casa da Suíça, na Lagoa, a primeira das casas temáticas dos países a abrir as portas. Diante do belo cenário natural da Lagoa Rodrigo de Freitas, muitas crianças já de férias se divertiam nas atrações da casa. O pessimismo era generalizado até a última semana, com a grave crise política e econômica, os problemas da segurança pública e as obras intermináveis por toda a cidade. Sem falar da epidemia de zika, na poluição da Baía de Guanabara e das ameaças terroristas. Para piorar ainda mais, os problemas de infraestrutura presentes nas acomodações dos atletas geraram insatisfação e reclamações de várias delegações. A política e a economia seguem em crise, claro. Obviamente o problema da violência policial e do desmonte das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não foram resolvidos. Mas o esquema especial de segurança montado para os Jogos, com policiamento ostensivo de militares fortemente armados, e a retirada dos tapumes que há tempos tornavam a cidade mais feia contribuíram para uma melhoria do clima desde o início da semana passada. Por fim, a chegada maciça dos turistas nos últimos dois dias trouxe alguma alegria de volta para a cidade.
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Segundo o governo, a expectativa é que, durante os Jogos, a cidade receba pelo menos 500 mil pessoas, um terço delas estrangeiras. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hoteis do Rio de Janeiro, até a abertura oficial dos Jogos, nesta sexta, a ocupação da rede hoteleira, que conta com 60 mil quartos, deve chegar a 93%. Os principais hotéis da orla já estão completamente lotados. O site Airbnb, de hospedagem em residências, confirma a reserva de mais de 55 mil pessoas para o período dos Jogos. – O movimento aumentou muito, o restaurante está cheio de gringos – confirma Verônica Oliveira, garçonete de um café em Copacabana. “Já estou praticamente falando inglês”. A turista canadense Rachel Johanssen, de 27 anos, que compra dois cafés para viagem, confirma a boa vontade dos cariocas: – Quase ninguém fala inglês, mas todo mundo tem boa vontade – diz. “Eu sei que o país tem problemas, mas eu estou gostando muito, não tenho do que reclamar.”
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