A chuva que cai sobre o Rio de Janeiro desde o fim da tarde de segunda-feira já matou 79 pessoas e deixou pelo menos 58 feridos no Estado, além de 20 desaparecidos no município, segundo o secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes. Côrtes informou ainda que oito bombeiros ficaram gravemente feridos durante o resgate de vítimas em Niterói, onde há mais de 150 bombeiros trabalhando, sendo que o total de pessoas resgatadas em todo o estado já chega a mais de 150.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, fez o apelo para que todos os moradores de encostas da cidade deixem suas casas enquanto a chuva não passar. O prefeito pede ainda que a população evite sair de casa, mesmo que a chuva dê alguma trégua, porque além dos diversos pontos de alagamentos na cidade, o serviço de meteorologia do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) prevê mais chuva.
Além da capital, no resto do estado, as autoridades tem informações sobre mortos em Niterói, em Petrópolis e nove em São Gonçalo. Na capital, três pessoas morreram no Morro dos Macacos, três no Morro do Borel (na Tijuca), um no Morro do Turano (no Rio Comprido) e um no Recreio.
Devido aos alagamentos e caos provocado pelas chuvas, as aulas foram suspensas nas redes estadual e municipal de ensino e a Prefeitura ainda solicitou às escolas particulares que cancelassem suas atividades nesta terça-feira. O reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, também determinou a suspensão das aulas hoje na universidade por causa das chuvas.
A Light, companhia de energia elétrica do Rio de Janeiro, solicita às pessoas que evitem o uso de elevadores e utilizem as escadas, por causa das constantes quedas de energia.
Em Niterói, cinco pessoas estão desaparecidas após soterramento de quatro casas. A ponte Rio-Niterói ficou totalmente interditada no sentido Rio no início da manhã, quando foi liberada. A SuperVia informou que as estações de trem - Central do Brasil, Praça da Bandeira, São Cristóvão, Maracanã e Mangueira - foram fechadas temporariamente e de acordo com informações do Metrô-Rio, todas as estações ficaram abertas e funcionando normalmente, apesar das fortes chuvas.
Dos três mortos no Morro do Borel, na Tijuca, dois deram entrada já mortas no Hospital do Andaraí. Marcelle Barbosa, de apenas 5 meses, e uma adolescente de 16 anos ainda não identificada, sendo que Francisca Bezerra de Souza chegou com vida ao hospital, mas não resistiu. Além dos três mortos, duas pessoas chegaram ao hospital com fraturas e sete com escoriações.
Em São Gonçalo, uma pessoa também ficou ferida em um deslizamento de terra que acabou derrubando uma casa na Travessa Lucas, no bairro da Covanca. A vítima, ainda não identificada, foi socorrida com vida por bombeiros do Quartel de São Gonçalo.
A chuva também derrubou uma barreira na Avenida Niemeyer, na altura do Hotel Sheraton, durante a madrugada de segunda para terça-feira. As pistas nos dois sentidos foram fechadas. Não há policiamento no local. No Leblon, uma árvore caiu dentro do canal da Avenida Visconde de Alburquerque, que transbordou, sendo que as pistas ficaram cheias de água.
A Defesa Civil municipal registrou 51 ocorrências em toda a cidade. A maioria das solicitações foi provocada por ameaça e por desabamentos de imóveis, deslizamentos de barreiras e quedas de muros. As regiões mais atingidas pelo temporal foram as zonas Norte (Andaraí, Lins de Vasconcelos e Tijuca) e Oeste (Praça Seca e Freguesia).
Órgãos da Prefeitura reforçaram seu efetivo para contornar os transtornos provocados pela chuva. A Defesa Civil informou que "mesmo com a melhora nas condições de drenagem e com as desobstruções feitas pela operação Águas de Março, o período atual de maré alta prejudica o escoamento da água nos pontos de alagamento". A cidade permanece em estado de atenção devido à previsão de chuva moderada em toda a cidade durante a noite de terça-feira e madrugada de quarta-feira. Em caso de emergência, a população deve ligar para a Defesa Civil no telefone 199, que funciona 24 horas.
A forte chuva foi causada pela passagem de uma frente fria, de acordo com o Climatempo. As rajadas de vento chegaram a 75 km/h, no Forte de Copacabana. Também houve ventos fortes na região do Aeroporto Santos Dumont, com rajadas de 50 km/h.
O Instituto Climatempo informou que áreas de instabilidade associadas a uma frente fria se intensificaram na cidade do Rio entre o fim da tarde e o começo de noite desta segunda-feira, sendo que não previsão de mudança até quarta-feira.