O Núcleo Avançado de Educação (Nave), inaugurado na última semana pelo governador Sérgio Cabral e pela secretária de Educação, Tereza Porto, nas dependências do Colégio Estadual José Lopes, na Tijuca, não será a única escola piloto do Estado do Rio de Janeiro. A intenção da secretária é criar escolas-modelo em outras áreas de conhecimento, como cultura e esporte, além da tecnologia da informação, que norteia o currículo dos alunos no Nave.
O American Banknote adotou uma escola no Caju, bairro-sede a empresa. Outra escola recentemente inaugurada pelo governador, o Colégio Estadual Monteiro de Carvalho, que aproveita a estrutura dos prédios desativados da Escola Suíça, em Santa Teresa, deverá se tornar referência em cultura.
– Dentro da escola há um teatro maravilhoso, com 180 lugares, o único no bairro de Santa Teresa. A idéia é que esta sala seja incorporada à rede estadual de teatros – anuncia Tereza.
Uma parceria com o instituto Parceiros da Educação também deve render bons frutos para as escolas estaduais. Na última quinta-feira, diretores de escolas tiveram a primeira reunião com representantes da instituição, após o lançamento do projeto, que teve o incentivo da primeira-dama, Adriana Ancelmo.
– Os diretores das nossas escolas devem inscrever idéias de projetos para receber parcerias de empresas privadas. Em São Paulo, já há 68 escolas neste modelo – explica a secretária de Educação.
Os esforços da Secretaria de Educação também estão voltados para melhoria das instalações das escolas. Atualmente, há 148 em reforma. Uma parceria com a Secretaria de Governo, que visitou as unidades estaduais e fez uma análise de risco dos prédios, ajudou a ordenar por prioridade a lista de escolas que devem passar por obras.
– Antes a coisa era feita de forma muito solta. Às vezes, ganhava pintura uma escola que estava novinha, enquanto outra que estava com o encanamento entupido ficava esperando para ser reformada – lembra Tereza.
Com um investimento de R$ 8 milhões, o Nave oferece aos alunos cursos em tecnologia da informação aliados à grade pedagógica tradicional. Além das salas de aula do Colégio Estadual José Lopes, que funcionam no terceiro e no quarto pisos do prédio, o Nave conta um Centro de Internet Comunitária, do Proderj, e com uma sala de exposições multimídia, montada em parceria com a Secretaria de Cultura, no primeiro piso.
Um centro de desenvolvimento de conteúdo, no segundo piso, completa o conceito de escola piloto em tecnologia da informação. É lá que ficam incubados os projetos de universidades e empresas para desenvolver objetos de aprendizagem para todas as disciplinas oferecidas aos alunos.
– Para que possam participar do desenvolvimento de soluções, os alunos têm que ser treinados em webdesigner e programação – explica Tereza.
A secretária defende que a tecnologia da informação é uma importante ferramenta para introdução do conceito de educação colaborativa nas escolas públicas estaduais. Alunos sentados em carteiras individuais organizadas em filas e proibidos de trocar idéias e experiências com os colegas fazem parte de um modelo de escola que deverá se tornar cada vez mais coisa do passado.
– Você se forma nesse modelo, mas quando chega ao mercado de trabalho é cobrado pelo chefe a trabalhar em equipe. A tecnologia pode ser uma ferramenta a nos ajudar a mudar este conceito de educação. Através de chats e blogs, por exemplo, os alunos poderão trocar informações com colegas da mesma turma, de outros colégios da rede estadual, ou até de outros estados e países – destaca Tereza, que não quer deixar o uso do computador nas escolas restrito às aulas de informática.
Rio ganhará escolas-modelo em diversas áreas
Segunda, 02 de Junho de 2008 às 06:47, por: CdB