A mais nova investida do governo federal na guerra da saúde do Rio de Janeiro, que teve estado de calamidade pública decretado no dia 11, está sob tendas num hospital de campanha que começou a funcionar nesta segunda-feira numa área da Aeronáutica, na Barra da Tijuca.
A operação de uma outra unidade militar improvisada ainda depende de uma disputa entre governo federal e municipal. O Ministério da Saúde entrou na Justiça para instalar um segundo hospital de campanha na região central da cidade, depois de ter pedido para usar o Campo de Santana, negado pelo município.
Segundo o coordenador da intervenção dos hospitais públicos do Rio, Sérgio Cortes, a instalação de hospitais de campanha representa uma saída emergencial e eles funcionarão como "grandes ambulatórios".
"Identificamos um problema gravíssimo às portas das emergências, com muitos pacientes aguardando atendimento ambulatorial, que não tinham necessidade do serviço de emergência", afirmou Côrtes.
"Além disso, nos hospitais não existia nenhum tipo de triagem, então um paciente com dor de cabeça acabava sendo atendido antes de um enfartado", afirmou.
Desde o dia 11, quando o Ministério da Saúde decretou estado de calamidade na Saúde do Rio, técnicos do governo federal assumiram a administração dos seis maiores hospitais da prefeitura para tentar pôr fim a um impasse entre Ministério e Prefeitura Municipal sobre investimentos e gestão no setor. Os hospitais da capital vinham enfrentando problemas como falta de equipamentos, de pessoal, medicamentos e fechamento de emergências e leitos.
O hospital de campanha que começou a operar nesta segunda, na sede campestre do Clube da Aeronáutica, tem capacidade para atender até 400 pessoas por dia, com serviços básicos nas áreas de ginecologia, clínica médica, ortopedia, pediatria e odontologia. Há ainda instaladas no local um sala para pequenas cirurgias e uma unidade de tratamento intensivo, que só devem ser usadas em casos extremos.
No primeiro dia de funcionamento, o movimento ainda era fraco nas cerca de 16 tendas, algumas climatizadas, instaladas na zona oeste da cidade.
"A expectativa é que nos próximos dias, quando começarem a ver que realmente está funcionando, aumente o movimento. Aí não vai dar vazão, e as filas vão se formar aqui", afirmou a ortopedista Stela Curty Morim, 31 anos. Médica da Aeronáutica, pela primeira vez ela trabalha num hospital de campanha e até o fim da manhã já havia atendido 18 pessoas, grande parte com dor nas costas.
Até o fim da manhã, cerca de 60 pessoas haviam recebido atendimento no hospital, que funcionará nos dias úteis das 8h às 16h30. Segundo a Aeronáutica, não há prazo estipulado para a duração de seu funcionamento.
"É um hospital de guerra que pode ficar em funcionamento por um longo período", afirmou o major Marcos Vieira Maia, subcomandante do hospital de campanha. Segundo o major, um hospital como esse já ficou montado durante um ano e meio na região amazônica.
A maioria dos pacientes que procuraram o serviço nesta segunda já havia passado por outras unidades em busca de atendimento.
Pulando num pé só e amparado por dois soldados, o motorista Ivison de Oliveira, 31, chegou ao hospital de campanha depois de aguardar atendimento em outros dois hospitais. Deitado num leito instalado em uma das tendas, Oliveira recebia atendimento por causa de uma queda de motocicleta no domingo, que deixou sua perna direita machucada.
A aposentada Maria Pereira Lopes, 79, aguardava para fazer um raio X, mas disse que lhe pediram para esperar um pouco porque o equipamento estava dando choque. "Aqui é minha última esperança", afirmou, queixando-se de dor nas costas e nos pés, depois de buscar ajuda em outros dois hospitais.
O governo federal quer instalar um hospital similar ao da Barra no Campo de Santana, perto do hospital Souza Aguiar (maior hospital de emergência da América Latina), para atender a demanda desse hospital e do Andaraí.
De acordo com o interven