Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2026

Rio enfrenta problemas para transportar pessoas com deficiência

A cidade sede dos Jogos Parapan-Americanos, embora tenha uma das maiores estruturas turísticas do país, ainda enfrenta problemas para a locomoção e mobilidade das pessoas com deficiência. Mesmo alguns lugares construídos para os Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos não contam com amplos sistemas de acesso.

Segunda, 13 de Agosto de 2007 às 12:00, por: CdB

A cidade sede dos Jogos Parapan-Americanos, embora tenha uma das maiores estruturas turísticas do país, ainda enfrenta problemas para a locomoção e mobilidade das pessoas com deficiência. Mesmo alguns lugares construídos para os Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos não contam com amplos sistemas de acesso. Foi o caso do sistema de transporte coletivo que dificultou o acesso do público com deficiência à cerimônia do Parapan-Americano, que aconteceu neste domingo, na Arena Multiuso, em Jacarepaguá, na zona oeste.

A presidente da ONG Guerreiros da Inclusão, Sheila Melo, saiu da estação de metrô do Maracanã, Zona Norte do Rio, em direção a estação de Del Castilho para pegar um ônibus adaptado para deficientes físicos. A Secretaria Municipal de Transportes havia anunciado que, de lá, sairiam 24 ônibus deste tipo. Porém, de acordo com Sheila, não havia ônibus adaptados no local, e os cadeirantes tiveram que ser carregados pelos seguranças para ônibus convencionais.

No entanto, no terminal Alvorada, que fica na Barra da Tijuca, próximo ao local da cerimônia, havia ônibus adaptados. Segundo a Secretaria municipal de Transportes, foram colocados 76 ônibus deste tipo no terminal. Mas ao chegar a Arena Olímpica, Sheila encontrou outros problemas: a rampa de acesso era inclinada demais para que ela pudesse subir sem ajuda.  Além disso, apenas uma pessoa poderia ficar como acompanhante no espaço destinado aos cadeirantes.

Sheila, que veio acompanhada de um grupo de amigos, não pode assistir a cerimônia junto com os amigos. “O certo é a cidade estar preparada para todo mundo, seja criança, baixo, alto, gordo, magro, com deficiência ou não. O ambiente tem que estar integrado para todo mundo, e não ter um local só para cadeirante, um local só para pessoas com ou sem deficiência”, ressaltou.

A assessoria de imprensa da Secretaria municipal de Transportes não soube confirmar a ausência de ônibus adaptados na estação de Del Castilho. Sobre a presença de acompanhantes no local destinado a cadeirantes, o Comitê Organizador dos Jogos informou que o ingresso especial dos cadeirantes informava que cada um só teria direito a um acompanhante.

Quem optou por ir de carro a cerimônia teve menos problemas. Ao contrário do que aconteceu nos Jogos Pan-Americanos, havia estacionamento para cadeirantes perto da entrada da Arena. Porém, Eduardo Savigni, que também usa cadeira de rodas, quase não compareceu, porque não sabia que haveria estacionamento. — Quem não é muito atirado fica com receio de vir. Teve pouca divulgação desse esquema — afirmou.

Os deficientes visuais também encontraram dificuldades para chegar a Arena Olímpica. Sem guias ou sinalizações adequadas no ônibus, Marilza Pereira acabou descendo no ponto de ônibus errado e foi parar na Vila Pan-americana. Com a ajuda de duas pessoas que estavam indo para a cerimônia de abertura, ela conseguiu chegar a festa. De táxi. — Se não fossem as minhas duas amiguinhas aqui, eu teria voltado para casa — disse.

A acessibilidade das instalações do interior da Arena Olímpica foram aprovadas pela maioria dos torcedores. Na saída, do evento, Lourivaldo Ribeiro, que usa cadeira de rodas, elogiou a estrutura montada para o evento. — Foi tudo ótimo, nota dez. Os banheiros foram bem adaptados e as instalações estão perfeitas —  ressaltou.

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