Neste domingo, dia 06 de julho, o governo do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com o Viva Rio, irá promover a destruição pública de mais de 4.000 armas de fogo. Essas armas, apreendidas pela polícia do Rio em situação ilegal, a maioria com criminosos, serão esmagadas por um rolo compressor. Dessas armas, 200 fuzis vão ser queimados em uma fogueira. Será a primeira vez que se promove a queima de armas na América do Sul (Chama da Paz), método recomendado pela ONU pelo seu forte simbolismo contra a violência. O ato acontecerá no Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, às 11:00h. Além da participação da governadora Rosinha Garotinho, que deverá acender a fogueira preparada pelo cenógrafo Rubem Pontes, e de Rubem César Fernandes, diretor do Viva Rio, espera-se a presença dos ministros da Justiça, Defesa e Relações Exteriores, e também dos cônsules das representações estrangeiras no Rio. Durante a destruição das armas, grupos pacifistas, religiosos e escolas promoverão atividades em prol da paz. De São Paulo, a ONG Sou da Paz irá trazer 600 pares de sapatos de vítimas de arma de fogo mortas naquela cidade, que serão expostos, dando ao evento um caráter de mobilização nacional contra a violência. A escolha desta data (6 de julho) é para coincidir com a Conferência das Nações Unidas sobre o Tráfico Ilícito de Armas, a realizar-se no dia seguinte, em Nova Iorque. Visa também sensibilizar o Congresso Nacional, que está votando no momento novas leis na área da segurança pública, mas que, por pressão do lobby da indústria de armas e munições, resiste a votar medidas de controle efetivo ao tráfico e à proliferação de armas no Brasil. Essa é a quarta destruição pública de armas realizada pelo governo do Rio, em parceria com o Viva Rio, e com a colaboração do Exército Brasileiro e do Tribunal de Justiça do Estado do Rio. A primeira ocorreu no estádio de futebol Maracanã, em 1999, e reuniu 50 mil pessoas; a segunda, em 2001, bateu o recorde mundial, promovendo a destruição simultânea de 100 mil armas; e a do ano passado, quando foram esmagadas 10 mil armas de fogo. O governo do Rio recebeu elogios da ONU por promover destruições públicas dos excedentes de armas em parceria com uma ONG, por considerar que os problemas de segurança pública exigem a colaboração de estado e sociedade no combate à violência urbana.
Rio de Janeiro vai destruir armas em 'Chama da Paz'
Sexta, 04 de Julho de 2003 às 10:22, por: CdB