O ex-deputado Federal Marcio Moreira Alves, um dos símbolos da oposição à ditadura militar, morto nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, está sendo velado no Palácio Tiradentes, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. O corpo será cremado às 15h no Cemitério do Caju..O governo do Rio decretou luto de três dias pela morte do jornalista e político, que tinha 73 anos.
Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Samaritano, onde ele estava internado devido a um acidente vascular cerebral sofrido em outubro de 2008, a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos.
Em setembro de 1968, um discurso feito na Câmara por Moreira Alves causou uma crise entre o Legislativo e o Executivo. Em uma crítica à invasão da Universidade de Brasília (UnB) pelos militares, o então deputado conclamou a sociedade a boicotar o governo e o que chamou de "militarismo" ao não participar das comemorações do Dia da Independência.
Os militares, então, pediram autorização do Congresso para processar Moreira Alves, a qual foi negada pelos parlamentares. Dias depois, no dia 13 de dezembro de 1968, o governo editou o AI-5, o ato institucional mais duro desde o início do regime militar, em 1964.
O instrumento dava ao presidente da República o poder de decretar o recesso do Congresso Nacional, cassar mandatos eletivos e suspender direitos políticos de qualquer cidadão.
Um dos primeiros deputados a serem cassados depois da publicação do AI-5, Moreira Alves exilou-se no exterior. Só retornou ao Brasil em 1979, beneficiado pela Lei da Anistia. A ditadura militar acabou em 1985.
Marcio Emmanuel Moreira Alves nasceu no Rio de Janeiro no dia 14 de julho de 1936. Antes de iniciar a carreira política, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), começou a trabalhar como repórter no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, aos 17 anos.
Em 1990, desfiliou-se do partido --já transformado em PMDB-- e retomou a profissão anterior, com atuações no Jornal do Brasil, O Estado de São.Paulo e, mais recentemente, em O Globo.