Rio de Janeiro, 01 de Janeiro de 2026

Rio: com medo, PMs deixam cabines

Segunda, 12 de Março de 2007 às 07:41, por: CdB

O temor de que policiais militares de plantão em cabines se tornem alvos fáceis de bandidos têm levado profissionais a não permanecer no posto fixo depois das 18h. No 2º BPM (Botafogo), o cuidado com a segurança se tornou uma ordem, lembrada via rádio aos policiais que entram no plantão noturno.

- Minha determinação é que os policiais fiquem nos limites, mas não dentro das cabines, para evitar incidentes como os que ocorreram em dezembro, quando a cabine em frente ao shopping foi metralhada - afirma o comandante do 2º BPM, tenente-coronel Roberto Chimento. - A cabine é a base, mas o policial não deve ficar estático, principalmente à noite - completou.

Em um dos locais, um policial contou que evitava ficar na cabine para não virar "alvo fácil". Os PMs negaram receber ordem para não permanecer nas cabines à noite. Neste domingo, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ubiratan Angelo, garantiu não existir uma determinação para todos os locais, mas disse que comandantes têm autonomia para tomar decisões: - Cada um tem sua estratégia porque tem razões específicas - explicou Ubiratan.

Fechadas também durante o dia

Policiais militares também têm evitado permanecer nas cabines durante o dia. Neste domingo, por volta do meio-dia o posto do 9º BPM (Rocha Miranda) na esquina das ruas Carolina Machado e Francisco Batista, em Madureira, estava aberta, mas vazia. Segundo moradores, o policial estaria almoçando e realizando ronda.

Mais tarde, na esquina das avenidas Martin Luther King e Monsenhor Félix, em Irajá, a cabine estava trancada. Um PM disse que tinha ido almoçar e que costuma deixar o local para fazer ronda. A cabine fica a cerca de 500 metros do posto de gasolina onde, quinta-feira, um cabo e um soldado do mesmo batalhão foram mortos. Na cabine de Irajá, policial contou que, à noite, há sempre dupla de PMs.

Mais um policial morto no Estado: cabo assassinado em São Gonçalo foi o 6º PM executado desde quinta-feira

O cabo da Polícia Militar, Douglas de Oliveira Carneiro, 35 anos, foi morto com mais de 20 tiros, na madrugada de domingo, quando saía de baile no bairro Porto da Pedras, em São Gonçalo. Foi a sexta morte de policial desde quinta-feira. O crime ocorreu por volta de 4h, na Rua Sargento Abílio José de Matos, a um quilômetro da casa de shows de onde Douglas havia saído.

Segundo agentes da 73ª DP (Neves), a principal hipótese do crime é execução, mas outras linhas de investigação não foram descartadas. Lotado no 1º Comando de Policiamento do Interior (Niterói), o cabo foi enterrado no fim da tarde de domingo, no Cemitério de São Gonçalo.

Na quinta-feira, quatro PMs foram assassinados: Sebastião da Silva Santos e Fábio da Silva, executados dentro de uma patrulha em Irajá; Fábio Gadelha, atacado por bandidos em Olaria; e Cláudio Ferreira de Sousa, baleado em ponto de ônibus em Duque de Caxias. Na sexta, a vítima foi o soldado Marcel Soares de Souza, atingido na cabeça, poucas horas após ir ao enterro dos colegas mortos em Irajá.
 

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