O comitê organizador dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro anunciou um aumento de cerca de 80% em sua previsão orçamentaria para a competição, o que amplia em mais de 310 milhões de reais os gastos públicos no evento.
Segundo o Co-Rio, o comitê vai precisar de 691 milhões de reais para as despesas operacionais do Pan, contra os 380 milhões de reais indicados pelo próprio comitê na proposta de candidatura apresentada junto à Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) em 2001. Na eleição, o Rio de Janeiro venceu a cidade norte-americana de San Antonio.
- Este aumento de 80 por cento se dá justamente pelas questões em relação à qualidade da organização dos Jogos - explicou aos repórteres o presidente do COB e do Co-Rio, Carlos Arthur Nuzman, após detalhada explicação sobre os gastos da competição.
Além do aumento no orçamento, o Co-Rio não inclui mais a iniciativa privada como sua financiadora. Na proposta original, o dinheiro público seria responsável por 79 por cento do orçamento, completado por 21 por cento alcançado através de empresas privadas.
- Os recursos privados ainda não estão totalmente assegurados... e se não tivéssemos os recursos previstos estaríamos numa situação de emergência para financiar determinada situação. Nossa postura foi conservadora - afirmou o secretário-geral do Pan, Carlos Roberto Osório
A nova divisão coloca a prefeitura do Rio de Janeiro como responsável por 53% do orçamento do comitê, com o governo federal com 44% e o Estado do Rio de Janeiro com 3%.
Nesses valores não estão incluídos os investimentos em infra-estrutura, como a Vila Pan-Americana, o Estádio João Havelange e a reforma do Maracanã, que são consideradas obras para a cidade e não entram no orçamento do Co-Rio.
- Tudo que é montado e desmontado para os Jogos faz parte do nosso orçamento, mas tudo que fica depois não está em nosso orçamento e é considerado um investimento público que fica como legado dos Jogos - acrescentou Osório.
Nuzman disse ainda que não houve nenhuma reclamação por parte dos três níveis de governo quanto ao aumento do orçamento, e citou que o governo federal sempre pediu a maior qualidade possível na organização.
Já os gastos com segurança são de exclusividade do governo federal e, segundo Nuzman, nem mesmo o Co-Rio sabe quanto será destinado para a proteção do evento. Por enquanto, a previsão de receita do Co-Rio é de cerca de 116 milhões de reais, incluindo direitos de televisão, patrocínio e licenciamento.