Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Rio apresenta “A visita da velha senhora”

O tempo não passou para Claire Zahanassian. Desde que saiu de Güllen, uma pequena cidade da Europa Central, humilhada pela gravidez não reconhecida de um filho de Alfred Schill, a vingança alimentou cada um de seus dias. Quarenta e cinco anos depois.

Sexta, 30 de Janeiro de 2015 às 08:02, por: CdB
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"A Visita da Velha Senhora", de Friedrich Dürrenmatt (1921-1990), obra-prima da dramaturgia mundial, prende cada minuto da atenção do espectador
  O tempo não passou para Claire Zahanassian. Desde que saiu de Güllen, uma pequena cidade da Europa Central, humilhada pela gravidez não reconhecida de um filho de Alfred Schill, a vingança alimentou cada um de seus dias. Quarenta e cinco anos depois, ela retorna à cidade disposta a fazer justiça à sua maneira. Daí por diante,  A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Dürrenmatt (1921-1990), obra-prima da dramaturgia mundial, prende cada minuto da atenção do espectador como vai mostrar a montagem promovida pelo Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (CCPJ-Rio) para comemorar os 15 anos do programa Teatro na Justiça, realizado pelo Tribunal de Justiça. O espetáculo estreiou nesta quinta, e faz sessões nesta sexta-feira e sábado. Mas a partir de 2 de fevereiro, será sempre de segunda a quarta-feira, às 19h. Entrada franca. A distribuição de senhas começa às 18h30.

As apresentações serão na Sala Multiuso do CCPJ-Rio, localizada no Antigo Palácio da Justiça, Rua Dom Manuel, 29, Centro. O elenco é formado por Maria Adélia (Clara Zahanassian), Marcos Ácher (Alfred Schill), Rogério Freitas (Prefeito), Eduardo Rieche (Professor), Paulo Japyassú (Pároco); Savio Moll (Policial), Laura Nielsen, Renato Peres, André Frazzi, Anita Terrana e Pedro Lamim se revezam em diversos papéis. Completa o elenco o violonista Pedro Messina.

Discutir as várias faces do poder é o que motiva a escolha de montar A Visita da Velha Senhora,  neste momento dos 15 anos do programa “Teatro na Justiça”. “Quando o programa foi criado, em 1999, definimos seus objetivos: refletir, por meio do teatro, valores de justiça, a relação entre direito e teatro, através de um repertório de clássicos da dramaturgia.”, pontua a diretora Sílvia Monte, que também é atriz e produtora e há 25 anos é funcionária do Tribunal de Justiça. Este é o quarto texto voltado à investigação do poder que a diretora Sílvia Monte leva ao “Teatro na Justiça”. Em Os Físicos (1962), também de Dürrenmatt, a questão recaiu sobre o conflito ético da produção de conhecimento científico a serviço de interesses econômicos e políticos; em Antígona (441 a.C), de Sófocles, a reflexão se desdobrou sobre as razões e atos do poder constituído.

Uma curiosidade: os elencos dos dois espetáculos, apresentados sob a forma de leitura dramatizada, eram compostos por magistrados do Tribunal do Rio (juízes e desembargadores), que ali paramentados com figurinos, abriram mão da sua roupagem de poder para refletir em cena sobre aspectos do poder, juntamente com o público que os assistiu em suas respectivas temporadas. Na montagem de “Um inimigo do Povo, o tema proposto se desenvolveu a partir da reflexão sobre as ‘relações de poder’ que constituem a sociedade contemporânea. “Agora, em A Visita da Velha Senhora temos um texto sobre a hipocrisia social e a falência dos valores humanos, uma sátira ao poder do dinheiro e à queda de valores”, reflete a diretora. A direção musical é de Marcelo Coutinho, o cenário é criado por  José Dias, figurino de Pedro Sayad e iluminação de Elisa Tandeta.

Ao longo dos últimos 15 anos, o programa “Teatro na Justiça” realizou 13 montagens. Foi de tragédias a dramas modernos, de comédias ao teatro musical. O repertório contou com  Testemunha da Acusação, de Agatha Christie, 1999; Medéia no Banco dos Réus, julgamento teatralizado de Medéia, personagem da tragédia homônima de Eurípides, 2000; Doze Jurados e Uma Sentença, de Reginald Rose, 2001; O Vento Será Sua Herança, de Jerome Lawrence e Robert E. Lee, 2002; “O Caso Alma, de Terence Rattigan, 2003; “A Pane”, de Friedrich Dürrenmatt, 2004; “O Processo”, de Franz Kafka, 2005; “Oréstia”, de Ésquilo, 2006; “Assim é... (Se lhe Parece), de Luigi Pirandello, 2007; “O Bilontra”, de Arthur Azevedo, 2008; “Os Físicos”, de Friedrich Dürrenmatt, 2010; “Antígona”, de Sófocles, 2011; “Um Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen, 2012.

Ficha Técnica:

A Visita da Velha Senhora

Autor: Friedrich Dürrenmatt

Tradução: Mario da Silva

Direção e Adaptação: Sílvia Monte

Direção Musical: Marcelo Coutinho

Cenário: José Dias

Figurino: Pedro Sayad

Iluminação: Elisa Tandeta

Direção de Produção: Renata Blasi e Ana Paula Abreu

Realização:

Centro Cultural do Poder Judiciário do Rio de Janeiro

Diretoria-Geral de Comunicação e Difusão do Conhecimento

Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

Serviço:

A Visita da Velha Senhora – De Friedrich Dürrenmat. Direção: Sílvia Monte.

Elenco:  Maria Adélia, Marcos Ácher, Rogério Freitas, Eduardo Rieche, Paulo Japyassú, Sávio Moll, Laura Nielsen, Renato Peres, André Frazzi, Anita Terrana, Pedro Lamim, Pedro Messina (violonista).

Sessões dias 30 e 31 de janeiro. De segunda semana em diante, sessões de segunda à quarta.

Local: Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro

Antigo Palácio da Justiça – Sala Multiuso

Endereço: Rua Dom Manuel, 29, Centro, Térreo - Rio de Janeiro – RJ

Site: http://portaltj.tjrj.jus.br/web/guest/institucional/centrocultural

Telefones para informações: (21) 3133-3366/ 3133-3368

E-mail: ccpjrio@tjrj.jus.br

Capacidade: 54 lugares

Duração do espetáculo: 120 minutos/ com intervalo de 10 minutos

Recomendação etária: 14 anos

Entrada Franca com distribuição de senhas meia hora antes do início da sessão.

Temporada: 29/01 a 29/07 (segunda a quarta).

Tags:
Edições digital e impressa