O solo A Rainha e o Lugar, da bailarina e coreógrafa Andrea Jabor, que comemora seus 15 anos de trabalho no Rio de Janeiro, estreia nesta sexta-feira no Espaço Sesc, em Copacabana, mesmo tempo em que desenvolve a pesquisa intitulada Arquitetura do Movimento, nome também de sua companhia de dança. A Rainha e o Lugar propõe pensar a importância do corpo como instrumento e símbolo de poder. Por isso, estabelece um diálogo através da relação da intérprete Andrea Jabor com vídeos, ambientes sonoros, vestimentas e objetos que evocam aspectos da condição de Rainha.
A Rainha e o Lugar concilia um tributo aos 450 anos do Rio de Janeiro a uma investigação sobre modos de construção da identidade, através da relação com os lugares que ocupamos, almejamos ou negamos. Em fotos e filmes, Andrea Jabor inclui paragens do Rio quase “invisíveis” a quem vive na cidade, como a Bica da Rainha, no Cosme Velho, ou a Praça Paris, na Glória. Em cena, ela dança com imagens e objetos numa trilha que inclui Beethoven, entre outros autores.
- Nos últimos espetáculos da companhia Arquitetura do Movimento investiguei as matrizes do samba carioca, fiquei sempre muito ocupada dirigindo e pesquisando. Agora quis que toda a investigação convergisse para este solo sob uma perspectiva totalmente nova na minha trajetória, de alguma forma coroando esta pesquisa que desenvolvo, esta metodologia de libertação da coreografia em que a improvisação ganha importância - situa Andrea Jabor, que entre 2008 e 2010 pesquisou as matrizes do samba numa trilogia coreográfica e lançou o DVD Oficinas de Dança – As matrizes do Samba Carioca resultado do co-habitar da dança contemporânea com o universo do samba carioca.
A Rainha e o Lugar fala da cidade e seus jovens, do lugar da infância na construção de identidade, da inteligência corporal da cultura popular, da poesia que pode existir em nossas perguntas e inquietações. Sobretudo, experimenta, nos mais diversos territórios e a partir de variadas perspectivas, o sentido da figura da Rainha. Foi assim pesquisando que conheceu o documentário “The Vanishing of the Bees (o desaparecimento das abelhas) dos cineastas George Langworthy e Maryam Henein que veio agregar ao espetáculo uma reflexão sobre o sumiço das colmeias que vem causando um colapso progressivo das colônias de abelhas em todo o mundo alterando toda uma cadeia fundamental para o equilíbrio da natureza. As abelhas, responsáveis por 75% da polinização no planeta, constituem uma sociedade feminina em que todas trabalham em prol das umas das outras e em favor dos seres humanos.
Ana Achcar (atriz, diretora e professora) e Andrea Jabor se conheceram em 1999, quando Andrea apresentou De Areia e Mar no Teatro Cacilda Becker, momento em que voltava a viver na cidade depois de muitos anos fora do Brasil. “A minha contribuição foi principalmente atuar nas conexões entre imagem, movimento e sentido durante o processo de criação do espetáculo”, destaca Ana Achcar. Já Gustavo Gelmini, especialista em filmes de dança, reflete: “Fiquei muito instigado em entender o que era essa Rainha em um país onde relações com reis e rainhas nunca foram motivo de orgulho, no entanto, a partir de nossas conversas fui entendendo esse lugar de realeza como merecimento.”
Uma das facetas do trabalho de Andrea Jabor é coordenar grandes grupos e ministrar oficinas para jovens por toda parte: Vidigal, Maré, Galpão Aplauso, entre muitos outros. Por isso, fez uma seleção de 18 jovens dançarinos para que eles pudessem alimentar e contribuir com o processo criativo do espetáculo. Eles participaram de um curso de 20h em que responderam com seus corpos e depoimentos sobre questões de identidade e de lugar, além de terem tido uma introdução à construção de uma coreografia e também como chegar a produzir um videodança. Juntos produziram materiais que fazem parte do espetáculo”.
A Rainha e o Lugar explora a cena multidisciplinar e constrói um universo que mistura arte e ciência, delicadeza e força, possibilidade e limite.
Fixa técnica:
Concepção e Coordenação geral: Andrea Jabor
Criação: Andrea Jabor, Ana Achcar, Flávio Souza, Gustavo Gelmini
Coreografia, trilha sonora e interpretação: Andrea Jabor
Direção Cenica: Ana Achcar
Direção de arte e Figurino: Flavio Souza
Filme ( projeções): Gustavo Gelmini
Assistente de coreografia: Letícia Ramos
Desenho de iluminação:Renato Machado
Programação visual: Daniel Whitaker
Fotografia: Rodrigo Castro
Produção Executiva: Alessandra Azevedo
Produção: Belas Estratégias Produções
Assessoria de Imprensa: Mônica Riani
Realização: FUNARTE, SESC,Arquitetura do Movimento
Este projeto foi contemplado com o Prêmio Funarte de dança Klauss Vianna/2013.
Serviço:
A Rainha e o Lugar - Solo de Andrea Jabor.
Criação: Andrea Jabor, Ana Achcar, Flávio Souza, Gustavo Gelmini.
Estreia nesta sexta-feira às 21h. Temporada de 6 a 29 de março.
De sexta a domingo. Sexta e sábado, às 21h e domingo às 20hs.
Local: Espaço Sesc - Mezanino – Rua Domingos Ferreira, 160. Copacabana – RJ. Estação Siqueira Campos do Metrô. Tel. 21 2547.0156. Lotação: 72 lugares.
Ingresso: R$ 20, R$ 10 e R$ 5 (associados do Sesc). Funcionamento da Bilheteria (inclusive vendas antecipadas): Ter. a dom., 15h às 21h.
Classificação etária: 12 anos. Duração: 60 minutos