Depois de implantar os novos quiosques na orla, a prefeitura do Rio vai fechar cinco postos na Avenida Atlântica, em Copacabana, na Zona Sul. O fechamento está previsto para 23 de setembro e faz parte do projeto de resgatar um dos principais cartões postais da cidade, segundo a secretária municipal de Meio Ambiente, Rosa Fernandes.
Além da motivação paisagística e turística, o decreto que determina o fim dos pontos de abastecimento na orla se baseia nos riscos ambientais para a área, pois os combustíveis podem contaminar o lençol freático.
Para o diretor de urbanismo do Instituto Pereira Passos, Antônio Correia, o fechamento dos postos colabora com a adaptação do Rio de Janeiro a um modelo mais moderno de cidade, voltado para o pedestre e o cidadão. — Já houve um tempo em que era natural ter carros dominando a paisagem na praia. Na década de 90, com o projeto Rio Orla, que implantou a ciclovia, foram removidas as áreas de estacionamento junto à areia. Os carros e os postos de gasolina abrem espaço para pedestres e ciclistas. Esse é um momento histórico, pois a cidade está mudando sua orientação.Trata-se de um conceito mais moderno —.
A intenção da prefeitura é implementar áreas de paisagismo no canteiro central da Av. Atlântica, com projeto do escritório Burle Marx. São do escritório os desenhos abstratos do canteiro central e das calçadas junto aos prédios. Por isso a prefeitura quer contratar o escritório, sem licitação, com o propósito de integrar as novas áreas livres ao desenho do piso existente.
O calçadão é tombado pelo Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural), o que impede alterações em suas características originais. A intervenção provável passa pela recomposição do piso de pedras portuguesas e o plantio de árvores e coqueiros. Mas a ocupação das áreas dos atuais postos ainda não está decidida.
Moradores preferem ter mais espaço
A presidente da Amacopa (Associação dos Moradores Amigos de Copacabana), Myriam Barbosa, conta que os moradores receberam bem a notícia sobre o fechamento dos postos e a proposta de nada construir nos locais. — Achamos ótimo. Isso já devia ter acontecido há anos. Nenhum lugar no mundo tem posto na orla. Só enfeiam a paisagem. Além do mais, nos fins-de-semana, os postos estavam virando estacionamento, enchendo a orla de carros. Acho ótimo que refaçam a calçada com os desenhos. Na minha opinião, não deve ter nem jardim —.
Fernanda Porto, jornalista de 27 anos e moradora da rua Anita Garibaldi, acha que se é para tirar alguma coisa do bairro, é importante deixar áreas livres. — Já tem muita coisa entulhando a orla, eu acho. É melhor deixar o espaço livre, fazer canteiros. Esses quiosques novos já ocupam muito mais espaço do que deveriam —.
Abastecimento é a grande preocupação
A implantação de jardins no canteiro central da orla agrada a engenheira de computação Deise Lima, 29 anos. Moradora da rua República do Peru, ela lamenta perder seu ponto habitual de abastecimento. Acha que a densa ocupação do bairro é um complicador a mais para a consstrução de novos postos. — Eu sempre abasteço na praia. Como moradora de Copacabana, acho que se é pra tirar, deveriam colocar o posto em outro lugar, mas sei que em Copacabana não tem espaço. Precisa ser feito um planejamento para não prejudicar o consumidor. Pra mim, será um problema. Mas entendo que deva ter um impacto ambiental sim —.
Horácio Magalhães Gomes, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, acredita que a decisão pode parecer acertada. Mas que o benefício do ponto de vista ambiental agrava muito o problema de abastecimento na Zona Sul. Ele teme a elevação de preços nos postos que restarem em Copacabana.
— O bairro vai ficar restrito a apenas dois postos; um na Cardeal Arcoverde e outro na rua Bulhões de Carvalho com a Francisco Otaviano. O número restrito de