Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

Ricos e pobres voltam a negociar livre comércio na OMC

Os representantes dos países ricos, pobres e intermediários retomaram, na quinta-feira, as negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), na tentativa de derrubar os obstáculos remanescentes a um acordo para o setor agrícola, considerado crucial para a conclusão da Rodada de Doha de negociações de livre-comércio mundial. (Leia Mais)

Quinta, 03 de Janeiro de 2008 às 10:51, por: CdB

Os representantes dos países ricos, pobres e intermediários retomaram, na quinta-feira, as negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), na tentativa de derrubar os obstáculos remanescentes a um acordo para o setor agrícola, considerado crucial para a conclusão da Rodada de Doha de negociações de livre-comércio mundial.

O ambiente na mesa de negociações mudou drasticamente desde 2001, ano inicial da rodada que pretendia repelir os subsídios e tarifas de importação aplicados ao setor agrícola pelos países ricos, medidas que diminuem a competitividade de produtores agrícolas dos países pobres. Os preços recordes dos alimentos aliviaram a pressão sobre os governos que subsidiam produtores agrícolas. Receios sobre a inflação provocada pela valorização dos alimentos e temores sobre a escassez de comida levaram alguns países a reduzir algumas tarifas de importação, deslocando o foco das negociações.

Além disso, a pressão crescente pelo protecionismo em países ricos dificulta cada vez mais a consolidação de um acordo entre os 151 países-membros da OMC. Segundo os negociadores, o embaixador da Nova Zelândia, Crawford Falconer, que preside as negociações agrícolas, convocou uma reunião de nove dias para discutir questões técnicas, como por exemplo as maneiras de designar e trabalhar com produtos sensíveis.

Diplomatas disseram que deixariam a decisão sobre números importantes, como o grau dos cortes aos subsídios e às tarifas, para o ápice da rodada e nas mãos dos governos.

- Isto é coisa para ministro. Nós preparamos. Deixamos o mais próximo possível, num ponto onde os ministros podem entrar - disse um negociador de um dos países ricos.

A agricultura é essencial para o sucesso de todo o processo da Rodada de Doha por conta da importância do setor para os países em desenvolvimento, que deveriam ser os mais beneficiados pelas negociações. Os países pobres querem que as nações mais ricas reduzam as tarifas de importação e os subsídios aplicados a produtos agrícolas em troca de uma abertura de mercado para produtos industrializados e serviços.

Uma das principais questões pendentes para as conversas em Genebra é a forma como devem ser tratados os "produtos especiais" na agricultura. Os países-membros da OMC concordaram que os países em desenvolvimento poderiam isentar alguns produtos agrícolas das tarifas estabelecidas por um acordo geral, mas ainda não há nenhuma decisão sobre quais serão as condições de classificação e de tratamento para estes produtos.

Um grupo de 45 países em desenvolvimento, conhecido como G-33, anunciou há duas semanas que qualquer contrato estabelecido deverá permitir que os países em desenvolvimento isentem completamente alguns produtos especiais dos cortes nas tarifas. Países pobres e exportadores de alimentos, como Brasil, Argentina e Tailândia, porém, unem forças com os países ricos para resistir a esta proposta.

Falconer espera que as negociações nesta semana e na próxima diminuam as diferenças o suficiente para elaborar uma versão revisada dos termos do acordo, redigidos por ele inicialmente em julho de 2007, até o fim deste mês. Os negociadores disseram que as conversas, durante uma reunião com mais de 30 delegações principais, teriam uma cobertura ampla sobre toda a série de negociações agrícolas, iniciando esta semana com a questão dos incentivos domésticos ou subsídios.

Na próxima semana, seria discutido o acesso aos mercados, ou tarifas, e então encerrariam com um debate sobre competitividade na exportação, incluindo áreas como ajuda alimentar e créditos de exportação e a questão polêmica do algodão. Pouco antes do Natal, Falconer circulou documentos que registravam os últimos quatro meses de negociações. Entre outras propostas, foi estabelecido um cronograma para que os países ricos reduzam subsídios e proponham isenções de cortes nas tarifas para novos membros da OMC.

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