A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, fez um apelo na quarta-feira para que o Paquistão coopere "de forma integral e transparente" com as investigações sobre os ataques de Mumbai que abalaram as relações entre Índia e Paquistão.
A Índia afirmou que 10 militantes que mataram 171 pessoas em ações na sua capital financeira eram não apenas provenientes do Paquistão, mas eram controlados a partir daquele país. As autoridades indianas ameaçam se retirar do processo de paz que já dura quase cinco anos entre os dois rivais nucleares, caso o Paquistão não aja com firmeza contra os responsáveis.
- Esta é a hora para que todos cooperem e o façam de forma transparente, e esta é especialmente a hora para que o Paquistão faça isso - disse Rice em entrevista coletiva em Nova Délhi.
Em outro evento, o principal comandante militar dos EUA viajou a Islamabad para pedir que o Paquistão amplie sua campanha contra grupos extremistas após os ataques em Mumbai.
O almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, solicitou que o Paquistão "investigue de forma agressiva todas e quaisquer possíveis ligações a grupos no Paquistão" e "exerça ações em maior número e mais concentradas contra militantes extremistas em todos os locais do país".
Rice também advertiu para que a Índia não tome nenhuma medida que provoque "consequências despropositadas". Analistas têm alertado que uma escalada nas tensões militares no sul da Ásia pode distrair o Paquistão de sua batalha contra militantes na fronteira afegã, ou minar o governo civil do país.
Cerca de 10 mil manifestantes pararam o trânsito em Mumbai e gritavam palavras de protesto na maior manifestação pública de revolta até agora desde os ataques. A maior parte das palavras de ordem se dirigia a falhas na segurança governamental, ao lado do envolvimento paquistanês.
- Vim com meus amigos porque não podemos suportar mais isso. Os políticos precisam agir, eles precisam parar de não nos levar em conta - disse o comerciante Mahesh Patel.
- Abaixo, abaixo o Paquistão, ataquem o Paquistão - gritavam alguns, furiosos. "Viva a Índia! Vergonha aos políticos!"
"Inimigos do Paquistão"
Condoleezza Rice encurtou uma visita à Europa e viajou para a Índia à medida que as tensões aumentaram no sul da Ásia. Ela também deve visitar o Paquistão, informaram autoridades em Islamabad.
- Temos de agir com urgência, temos de agir com resolução e eu disse que o Paquistão precisa agir com resolução e urgência e cooperar de forma integral e transparente. Essa mensagem foi dada e será enviada ao Paquistão - disse Rice.
Mais tarde, ela acrescentou que mesmo que "atores não-governamentais" tenham executado os ataques, ainda assim seria responsabilidade do Paquistão agir de forma direta e dura contra eles.
No entanto, o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse à CNN que não recebeu nenhuma prova convincente de que o militante sobrevivente seja paquistanês e que ele duvida da acusação indiana.
Zardari também indicou que não aceitará a exigência da Índia para entregar cerca de 20 dos homens mais procurados que, segundo Nova Délhi, vivem no Paquistão, dizendo que se houver qualquer prova eles serão julgados pela Justiça de seu país.
- Não quero entrar nas especificidades sobre o que o Paquistão pode ou não fazer, mas vou considerar como um firme comprometimento o compromisso declarado do Paquistão de chegar ao fim disso e de reconhecer essas pessoas como inimigas do Paquistão também - afirmou a secretária de Estado dos EUA.