A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, chegou nesta segunda-feira em Beirute a fim de negociar um cessar-fogo "sustentável" no Líbano.
O Hizbollah disse ter derrubado um helicóptero israelense e destruído cinco tanques em pesados combates no sul do Líbano. Segundo televisões árabes, dois soldados israelenses morreram. O Exército de Israel disse apenas que nove soldados ficaram feridos no combate. Segundo uma fonte militar israelense, um helicóptero havia caído, mas ela negou que a aeronave tenha sido atingida pelo Hizbollah.
Rice chegou de helicóptero vinda do Chipre e, segundo políticos libaneses, se reuniria imediatamente com o primeiro-ministro Fouad Siniora e com o líder xiita Nabih Berri, presidente do Parlamento.
Berri, chefe do movimento Amal, é um político pró-Síria aliado do Hezbollah e que, desde o começo da guerra, tem agido como uma ponte entre os líderes do grupo islâmico e Siniora.
Tanques do Estado judaico avançaram, a partir do vilarejo Maroun al-Ras, em direção à cidade de Bint Jbeil, a cerca de 25 quilômetros da fronteira. Essa incursão era uma das várias realizadas por soldados israelenses em busca dos combatentes do Hezbollah, que utilizam lançadores de foguete bem escondidos para atacar o norte de Israel.
Aviões militares do Estado judaico bombardearam cidades e vilarejos do sul libanês, matando ao menos três pessoas e ferindo outras 20. Pouco depois do meio-dia, um ataque aéreo atingiu também um bairro xiita de Beirute.
A ofensiva de Israel, iniciada 13 dias atrás depois de o Hizbollah ter capturado dois soldados israelenses em uma ação realizada a partir do Líbano, já matou 372 pessoas e destruiu muitas instalações civis do país árabe, sem, porém, ter conseguido impedir os ataques com foguetes, responsável por matar 17 civis israelenses. Nos combates também foram mortos 20 soldados de Israel.
As baixas civis dos dois lados e a crescente crise humanitária no Líbano, onde 500 mil pessoas fugiram de suas casas, alimentaram as pressões internacionais por um cessar-fogo.
Integrantes das forças de segurança do Estado judaico e diplomatas ocidentais afirmaram que o Exército de Israel acreditava ter cerca de uma semana para completar sua campanha antes de um acordo internacional ser firmado, colocando fim aos combates.
Cessar-fogo
Os EUA, que culpam pela crise o Hizbollah e os aliados do grupo na Síria e no Irã, deseja que um eventual acordo de cessar-fogo contenha medidas para anular a guerrilha.
- Acreditamos que um cessar-fogo seja uma medida urgente - afirmou Rice a repórteres durante seu vôo rumo ao Oriente Médio.
É importante haver condições que o torne sustentável também - disse.
O chefe do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, que deseja trocar os dois soldados israelenses por palestinos e libaneses mantidos em prisões de Israel, afirmou que as investidas do Estado judaico não conseguiriam impedir o lançamento de foguetes.
§ Garanto aos senhores que essa meta não será atingida - afirmou Nasrallah ao jornal libanês As-Safir.
Israel, que primeiro rejeitava a idéia, agora diz que deseja a presença de uma força internacional capaz de tirar o Hizbollah do sul do Líbano e de assumir o controle da fronteira libanesa com a Síria, impedindo que a guerrilha consiga adquirir novas armas.
- Não interessa quem vai liderar a missão. É importante apenas que a missão seja cumprida - afirmou o vice-primeiro-ministro de Israel, Shimon Peres, ao jornal italiano Corriere della Sera.
- Não interesse se será o Exército libanês, a ONU (Organização das Nações Unidas) ou a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O importante é que a fronteira com o Líbano não abrigue mais os lançadores de foguete do Hezbollah - acrescentou.
Mas, da mesma forma como resistiu às tentativas de Israel de tirá-lo do sul libanês, o Hizbollah também resi