A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, advertiu nesta segunda-feira que os planos da União Européia (UE) de suspender o embargo sobre a venda de armas para a China podem alterar o equilíbrio militar da Ásia, região onde os EUA mantêm soldados estacionados.
Os norte-americanos opõem-se há muito tempo à suspensão do embargo para os chineses, mas os comentários de Rice foram feitos uma semana depois de o país asiático ter aprovado uma lei anti-secessão que prevê o uso da força contra Taiwan caso a ilha capitalista decida-se definitivamente pela independência.
A aprovação da lei alimentou temores do governo norte-americano de que poderia se ver envolvido em mais um conflito armado.
- Do ponto de vista dos EUA, esse não seria o sinal correto. A medida pode acabar por abalar o equilíbrio de forças em um local onde os EUA têm interesses na área de segurança - afirmou a secretária de Estado, em Pequim.
As declarações intensificam a campanha feita por Rice na Ásia para convencer a UE a abandonar seus planos. Luxemburgo, que detém atualmente a Presidência rotativa do bloco, prometeu chegar a um acordo sobre a venda de armas até o final de junho.
O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, disse neste domingo que a suspensão do embargo seria mais difícil depois de a China ter aprovado a lei anti-secessão.
Segundo Rice, esse não era o momento de a UE retomar a venda de armas para os chineses porque a lei havia elevado o nível de tensão entre a China e Taiwan.
Os EUA assinaram tratados prometendo defender a ilha capitalista no caso de os chineses atacarem-na.
O ministro das Relações Exteriores da China, Li Zhaoxing, chamou Taiwan de o "maior desafio das relações sino-americanas", relatou a agência de notícias Xinhua.
-A China espera que os norte-americanos aceitem a defesa de uma China única e não dêem declarações que agravem ainda mais a situação tensa na região - disse Li, segundo a agência.