A maioria dos titulares do Conselho de Ética chegou a assinar o pedido de renúncia dos cargos no colegiado, nesta quinta-feira, em protesto contra a absolvição do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) no plenário da Câmara, na noite anterior.
Uma ação do presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), no entanto, com um apelo para que os parlamentares continuassem em seus cargos até o fim dos dois últimos processos que estão em julgamento - de Vadão Gomes (PP-SP) e José Janene (PP-PR), fez com que Benedito de Lira (PP-AL), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Cláudio Magrão (PPS-SP), o suplente Marcelo Ortiz (PV-SP) e Nelson Trad (PMDB-MT) desistissem da idéia. Os deputados Cezar Schirmer (PMDB-RS), Chico Alencar (PSOL-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG) e Orlando Fantazini (PSOL-SP), no entanto, mantiveram a renúncia.
- Diante das absolvições no plenário a sensação é de que o Conselho de Ética é impotente. Nunca se viu tamanha frouxidão moral na política brasileira - disse o deputado Schirmer, relator do processo contra João Paulo Cunha.
Cezar Schirmer argumentou que a votação desta quarta-feira, que absolveu o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) por 256 votos contra 209 pela cassação, além de sete votos em branco, nove abstenções e dois nulos, foi um sintoma do distanciamento entre as decisões do conselho e a opinião do Plenário. Segundo o parlamentar, foi provada a ação "aética e indecorosa" do ex-presidente da Câmara e a absolvição não se justificou.
Segundo Schirmer, não tem sentido continuar com o esforço que vem sendo feito no conselho, já que o Plenário ignora esse trabalho.
- O sentido (da renúncia) é de protesto, de manifestar nossa inconformidade com o que está acontecendo. Minha sensação é de impotência, desalento e desencanto", disse. O deputado ainda informou que outros parlamentares também devem deixar o órgão.
Para o deputado socialista Chico Alencar, o Plenário está surdo à voz das ruas.
- Não sei mais o que estamos fazendo aqui (no Conselho de Ética), a não ser produzir uma série de peças de ficção. Fomos sucessivamente desautorizados pelo Plenário da Casa, que é soberano - disse.
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