A violência nas cidades francesas diminuiu pela terceira noite consecutiva depois que o governo ressuscitou medidas de emergência destinadas a conter duas semanas de distúrbios nos subúrbios, incidentes que abalaram o governo e a imagem da França no exterior.
O primeiro-ministro Dominique de Villepin evocou na segunda-feira uma lei de 50 anos atrás que permite às autoridades impor toques de recolher nas áreas afetadas. Mas só 5 dos 96 departamentos (regiões administrativas, maiores que municípios) do país adotaram essas medidas.
"Está calmo. Está diminuindo", afirmou um porta-voz do departamento de Seine-et-Marne, a leste de Paris.
"Há sinais encorajadores, mas não há redução da presença policial", disse um porta-voz do Ministério do Interior.
Durante a noite, os jovens incendiaram 482 veículos, contra 617 na noite anterior. A polícia informou que prendeu 203 pessoas, menos que as 280 da noite anterior.
Uma escola de Belfort, no leste da França, foi destruída. O vandalismo em uma estação da empresa de eletricidade EDF deixou parte de Lyon às escuras, segundo a polícia.
Mas não há relatos de feridos e um oficial na sede da polícia disse que a tendência é "positiva". O número de veículos destruídos vem diminuindo a cada noite desde domingo, quando 1.400 foram depredados.
A França adotou medidas de emergência na quarta-feira em 38 cidades e arredores, inclusive Marselha, Estrasburgo, Lyon e Paris. Essas medidas dão às autoridades locais amplos poderes para impor o toque de recolher e permite aos ministros que coloquem pessoas sob prisão domiciliar.
O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, acusado por adversários de agravar a situação ao chamar os manifestantes de "escória", disse à Assembléia Nacional que cerca de 120 estrangeiros condenados por participação nos distúrbios serão banidos, mesmo que tenham visto de residência.
Em Toulouse (sudoeste), pelo menos 12 pessoas foram presas depois que jovens atearam fogo a carros e enfrentaram a polícia. As autoridades da cidade ainda não usaram os novos poderes de emergência, apoiados por 73 por cento dos entrevistados numa pesquisa do jornal Le Parisien.
A violência, cometida por jovens franceses de origem africana e árabe, mas também por alguns brancos, começou numa periferia de Paris em 27 de outubro, depois que dois rapazes morreram eletrocutados por acidente quando aparentemente fugiam da polícia.
Rapidamente o incidente se tornou uma manifestação mais ampla contra o racismo, os maus-tratos policiais e a falta de empregos para os jovens em bairros pobres.
Os temores de que os distúrbios chegassem a outros países europeus contribuíram para derrubar a cotação do euro.
Economistas esperam que a confiança dos consumidores diminua por causa dos protestos, mas consideram que o impacto sobre o crescimento econômico e o déficit público deve ser mínimo, desde que a calma retorne em breve. Não vêem riscos para os investimentos estrangeiros diretos de longo prazo na França.
Villepin e o presidente Jacques Chirac estão sob intensa pressão para reagir aos tumultos mais graves na França desde o final da década de 1960.
O governo, que venceu as eleições de 2002 com promessas de impor a lei e a ordem, convocou milhares de policiais extras e anunciou a restauração de 100 milhões de euros em créditos que haviam sido cancelados a associações de bairros pobres.
A oposição socialista foi discreta nas suas críticas ao uso das medidas de emergência, aprovadas em 1955, quando Paris temia que uma rebelião na Argélia, então sua colônia, chegasse à metrópole. Os socialistas usaram essas medidas em meados da década de 1980 para conter protestos no território ultramarino da Nova Caledônia, no Pacífico.
A explosão de violência também acrescentou uma nova dimensão à cada vez maior rivalidade entre Villepin e Sarkozy, que competem pela candidatura da direita às eleições presid