Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Revistas dos EUA apostam em mais celebridades e menos modelos

Supermodelos, atenção! Uma das principais revistas femininas dos Estados Unidos está retirando as top models de suas capas e substituindo-as pelas belas e populares -- embora nem sempre tão inatacáveis -- celebridades de Hollywood. (Leia Mais)

Quarta, 24 de Março de 2004 às 09:45, por: CdB

Supermodelos, atenção! Uma das principais revistas femininas dos Estados Unidos está retirando as top models de suas capas e substituindo-as pelas belas e populares -- embora nem sempre tão inatacáveis -- celebridades de Hollywood.

Nos últimos meses, a revista Glamour, da editora Condé Nast, vem dando destaque a pessoas como Drew Barrymore, que já enfrentou um divórcio, foi viciada em drogas na infância e teve suas flutuações de peso registradas por paparazzi, ou a cantora Britney Spears, outra queridinha dos tablóides, que neste ano se casou em Las Vegas e anulou o matrimônio dois dias depois.

A tendência deve continuar, segundo a editora da Glamour, Cindi Leive, porque suas jovens leitoras se identificam mais com as estrelas -- apesar das suas contas bancárias milionárias e das casas suntuosas -- do que com as modelos.

``As modelos parecem criaturas irreais -- 1,80 metro de altura, 50 quilos, geneticamente abençoadas'', disse Leive à Reuters, após fazer uma conferência sobre o mercado de revistas em Washington.

``As leitoras sabem que Drew lutou contra a balança e que J. Lo (a atriz Jennifer Lopez) teve seus casamentos fracassados. Tudo isso faz essas mulheres parecerem mais reais e mais realistas que as modelos.''

A escolha da foto e das chamadas de capa é um dos pontos mais importantes do setor editorial, especialmente no universo das revistas femininas, onde muitas mulheres compram o produto por impulso ao vê-lo nas bancas. Além de competir com outros títulos, os editores também disputam o público com a televisão e a Internet.

A Glamour, que depende bastante da venda em bancas, foi a nona revista mais vendida por exemplares avulsos nos Estados Unidos no segundo semestre de 2003, segundo dados do Audit Bureau of Circulation, equivalente ao Instituto Verificador de Circulação no Brasil.

A revista vendeu em média 963.813 exemplares nas bancas por edição nesse período, pouco mais de 30 mil a menos que a O, revista da apresentadora Oprah, e 130 mil a menos do que a Womans' Day. A circulação geral paga da Glamour foi em média de 2,33 milhões de exemplares por edição.

Segundo Leive, quando a revista escolhe uma celebridade para aparecer na capa ela parte do princípio de que as leitoras preferem pessoas imperfeitas.

Os dados preliminares da edição de março, com Barrymore na capa, apresentam uma vendagem melhor nas bancas do que no mesmo mês de 2003.

A mudança acontece não só nas capas. Recentemente, a Glamour eliminou uma coluna de resenhas, substituindo-a por um espaço em que as estrelas falam abertamente sobre seus problemas.

Abe Peck, professor de Jornalismo na Universidade Northwestern, considera que a prioridade às celebridades nas revistas femininas é uma tendência que veio para ficar.

Outras revistas, como a Vogue, também frequentemente recorrem a elas nas suas capas, em vez de modelos. ``As leitoras querem alguém que vai dividir alguma coisa conosco'', disse ele.

Na sua conferência, Leive disse que Barrymore, por exemplo, ''irradia similitude, bom humor e calor, e acho que as leitoras sentem que ela sobreviveu a algo, aprendeu com isso e é fundamentalmente uma boa pessoa.''

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